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Crise no Canal de Panamá alerta logística do Brasil e país pode seguir rota mais cara para contornar o problema

  • México e Brasil, os principais centros logísticos da América Latina, buscam alternativas para o Canal do Panamá em meio à sua crise atual
  • Problemas na capacidade de travessia do canal podem elevar as tarifas de frete, impactando negativamente a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional

Ricaurte Vásquez Morales, administrador do Canal do Panamá
Ricaurte Vásquez Morales, administrador do Canal do Panamá
Por: SiiLA News
08/11/2024

Com seca histórica, anos de subinvestimento e mudanças nada boas nas cadeias de suprimentos globais, o Canal de Panamá, ou Pancanal, entra em uma situação crítica. Navios de carga aguardam semanas para conseguir chegar aos seus destinos, aumentando os custos de transporte e gerando problemas para o comércio entre as Américas, Ásia e outros mercados. Com a crise, travessias com duração de até dez horas dobram de tempo.

O problema já é antigo. Em 2023, a hidrovia teve que reduzir o fluxo de navios de 38 para 22 ao dia, por causa da crise hídrica.

Para Jackson Campos, especialista em comércio exterior e Diretor de Relações Institucionais da AGL Cargo, o canal reduz bem o tempo e os custos de transporte entre os continentes, evitando a longa e perigosa rota pelo Cabo Horn, no extremo sul da América do Sul.

“Estima-se que cerca de 6% do comércio marítimo mundial transite pelo canal, evidenciando sua importância estratégica para o fluxo eficiente de mercadorias globais”, comenta Campos.

Para o Brasil, o Canal do Panamá é a opção mais econômica para o comércio com a América do Norte, e a crise tem implicações diretas e indiretas. Campos explica que empresas brasileiras que exportam para a costa oeste dos Estados Unidos ou para a Ásia vão enfrentar atrasos e aumento nos custos logísticos devido à necessidade de rotas alternativas mais longas.

O país tem se preparado após os problemas hídricos no Panamá se tornarem mais graves. O Corredor Ferroviário Bi-Oceânico Central é a aposta que vai conectar os portos atlânticos às costas do Pacífico no Chile e no Peru, passando pela Bolívia.

Dados do Banco Mundial mostram que o Brasil direciona 48% das exportações para a Ásia, 18% para a Europa e 30% para as Américas (17% para o sul e 13% para o norte). Já as importações vêm principalmente da Ásia (41%), América do Norte (23%) e Europa (21%).

Ao The New York Times, Ricaurte Vásquez Morales, administrador do Canal do Panamá, disse que está sendo considerada a criação de um novo reservatório que pode resolver o problema. O plano pode resultar no deslocamento de cerca de duas mil pessoas, pois a ideia é construir a barragem no Rio Índio, ao sudoeste do Lago Gatún, o que inundaria as moradias de pessoas predominantemente pobres.

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