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A Golgi solta a mão do Mercado Livre em projeto em Perus, na Zona Norte de São Paulo. A companhia havia firmado um acordo com a varejista argentina no Golgi São Paulo, mas a negociação foi desfeita e o empreendimento será convertido em um data center.
O Golgi São Paulo está localizado em um dos principais corredores logísticos da capital paulista, com acesso direto ao Rodoanel Mário Covas. A localização colocaria a empresa argentina próxima a importantes operações de e-commerce, como um centro de distribuição utilizado pela Anjun Express, empresa que realiza a operação logística da Shein, Shopee e Amazon.
Segundo informações apuradas pelo REsource, a Arch Capital, controladora da Golgi, decidiu romper o contrato com o Mercado Livre e com a Libercon, empresa que estava realizando a obra, e “vendeu” o projeto para a 247, plataforma de desenvolvimento de data centers do próprio grupo.
Com a mudança de estratégia, as obras voltadas ao condomínio logístico teriam sido interrompidas, e parte da estrutura já executada deverá ser demolida para dar lugar ao novo empreendimento.
A decisão causou um mal estar entre as frentes envolvidas. Fontes de mercado afirmam que o Mercado Livre não está contente com o rompimento unilateral que já estava acertada com a Arch Capital/Golgi.
O mercado brasileiro de condomínios logísticos pode estar diante de uma nova disputa por terrenos. Impulsionada pelo avanço da inteligência artificial e pela crescente demanda por infraestrutura digital, a expansão dos data centers começa a competir por áreas que, até pouco tempo, eram destinadas exclusivamente ao setor logístico.
Esse movimento vem se tornando cada vez mais comum no mercado internacional. A Prologis, por exemplo, converteu dois empreendimentos originalmente destinados à logística em data centers, um em Chicago e outro no Arizona.
No entanto, o principal desafio para esse tipo de empreendimento não é a disponibilidade de terrenos, mas sim a infraestrutura elétrica. Segundo um estudo técnico da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), em 2024 havia 12 projetos de data centers, com demanda estimada de 2,5 GW. Em 2025, esse número saltou para 36 projetos, com demanda de 15,7 GW.
A própria estatal afirma que o crescimento desses projetos já influencia o planejamento do setor elétrico. Uma reportagem do The Guardian mostra que especialistas brasileiros discutem os impactos da expansão dos data centers sobre o sistema elétrico nacional. Entre as principais preocupações estão a necessidade de ampliar a infraestrutura de transmissão e distribuição, o possível aumento dos custos da energia e os efeitos da concentração de grandes consumidores em determinadas regiões.
Para o mercado imobiliário, a chegada dos data centers também pode alterar os critérios de desenvolvimento de novos empreendimentos. Se antes fatores como vacância, IPTU e valor de mercado eram suficientes para definir a atratividade de um terreno, a disponibilidade e o custo da energia elétrica passam a ganhar peso crescente nas decisões de investimento.
Procurados pela reportagem, Mercado Livre, Golgi e Arch Capital foram questionados sobre a operação, mas não responderam até a publicação desta matéria.
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