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Em um mercado imobiliário cada vez mais orientado por dados, negociações complexas e maior rigor de investidores, a avaliação independente deixou de ser apenas uma etapa técnica para se tornar um elemento estratégico em transações de compra, venda e incorporação de ativos.
No segmento de imóveis comerciais, especialmente em shopping centers e condomínios logísticos, o valuation passou a atuar como referência para decisões financeiras, precificação e mitigação de riscos.
Segundo Marco Ribeiro, diretor da Capright, uma avaliação conduzida por uma empresa independente reduz conflitos de interesse e oferece uma leitura mais aderente à dinâmica real do mercado. Isso porque, diferente de pessoas que estão diretamente envolvidas na negociação, o avaliador não está sujeito à pressão para elevar ou reduzir valores conforme o interesse das partes.
“Não existe dependência da transação para fechar negócio, então a avaliação fica livre da pressão de comprador, vendedor, proprietário ou locatário”, afirmou Ribeiro em entrevista ao REsource.
A imparcialidade ganha importância em um cenário em que preços de oferta nem sempre refletem a realidade das negociações. Em determinados mercados, grandes proprietários podem elevar valores anunciados, alterando referências estatísticas e criando uma percepção artificial de valorização.
“Em alguns casos, anúncios podem distorcer a leitura do mercado. O que realmente mostra o que está acontecendo são as transações”, disse.
A diferença entre preço pedido e preço efetivamente negociado é uma das principais preocupações de investidores institucionais e gestores de fundos. Em operações de M&A, por exemplo, a avaliação independente funciona como um balizador para determinar se o valor atribuído ao ativo está alinhado ao comportamento real do mercado.
Nos últimos anos, o aumento das transações envolvendo portfólios imobiliários ampliou a demanda por laudos independentes. Segundo Ribeiro, a Capright participou de avaliações ligadas a negociações recentes de shopping centers e condomínios logísticos, atuando como suporte para decisões de aquisição, venda e incorporação de ativos.
Entre os casos citados está uma avaliação do empreendimento logístico A+ em Minas Gerais, cujo valor projetado ficou menos de 1% distante do montante efetivamente negociado posteriormente.
“Quando observamos que o laudo ficou aderente ao que aconteceu na transação, entendemos que o valuation conseguiu capturar corretamente a dinâmica de mercado”, afirmou.
Para empreendimentos comerciais, a metodologia mais utilizada atualmente é o fluxo de caixa descontado (DCF, na sigla em inglês). Nesse modelo, o imóvel é analisado a partir de sua capacidade futura de geração de renda.
A metodologia considera projeções de contratos vigentes, potencial de reajuste de aluguel, vacância, entrada de novo estoque e comportamento histórico do mercado. Em geral, o horizonte de análise pode chegar a dez anos.
Segundo Ribeiro, a lógica por trás do valuation de imóveis comerciais está diretamente ligada à renda gerada pelo ativo.
“Um empreendimento comercial precisa produzir receita. A análise busca entender o fluxo futuro do imóvel e traduzir isso em valor presente”, disse.
No caso dos condomínios logísticos, fatores como absorção, valor de mercado dos aluguéis, taxa de vacância e pipeline de novos empreendimentos passam a ter peso relevante na modelagem financeira.
Dados de mercado também ganham protagonismo no processo. Informações relacionadas a aluguel praticado, histórico de ocupação e comportamento de oferta ajudam a construir cenários mais próximos da realidade.
Embora o valuation não altere fisicamente o empreendimento, especialistas apontam que um laudo consistente pode ampliar a percepção de valor do ativo perante investidores e instituições financeiras.
“Trabalhar próximo às transações e acompanhar a dinâmica recente do mercado ajuda a entender quais ativos estão agregando valor e quais características têm sido mais demandadas pelos investidores”, afirmou Ribeiro.
A tendência é que o valuation ganhe relevância à medida que o mercado imobiliário brasileiro se torna mais institucionalizado. Em operações cada vez mais sofisticadas, a avaliação deixa de ser apenas um requisito formal e passa a atuar como ferramenta de credibilidade entre compradores, vendedores e gestores de capital.











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