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Segundo o especialista Andreas Blazoudakis, fundador e CEO da Netspaces o blockchain é uma forma de trazer valor patrimonial a internet:
“A internet tem uns 40 anos e digitalizou tudo: delivery, táxi, ingressos, e-commerce… parece que ela está em todo lugar.
Mas tem uma coisa que ficou fora dela: o que tem valor patrimonial.”
Andreas ressalta que isso ocorre porque a internet atual é privada, feita de silos controlados por poucas empresas: Google, Apple, Amazon, Meta... não dá para transferir patrimônio em cima de uma estrutura que pertence a alguém.
“A blockchain é justamente essa extensão da internet: a Web3. A Web2 é a internet que a gente usa hoje; a Web3 é uma internet voltada para transmissão de patrimônio. Ela funciona como um grande livro-razão, que registra saldos e transferências entre carteiras. Tipo: o fulano tem 100 mil, transferiu 80 mil, agora tem 20 mil, e isso fica registrado.
A grande diferença é que ela grava isso de forma descentralizada. Quando acontece uma transação, a rede aciona milhares de computadores no mundo para validar e gerar um código, como um dígito verificador. O primeiro que resolve grava o bloco e recebe uma recompensa. E como cada bloco referência o anterior, se você tenta mexer num bloco antigo, tudo quebra.”
O executivo explica que há duas maneiras de aplicar esse modelo no mercado imobiliário, você pode tanto criar um token atrelado a um valor imobiliário (um produto financeiro no mercado de capitais), o que te permite tokenizar recebíveis de aluguéis em um contrato e distribuir para os compradores desses recebíveis. Ou pode-se tokenizar um imóvel, o que é mais complexo.
“Qual lado é mais usado e por onde começou? O mercado começou pelo lado financeiro. Um lado mais especulativo: comprar dívidas, comprar recebíveis tokenizados, CRIs tokenizados. Isso não só no Brasil, mas no mundo inteiro.
Nos últimos cinco anos se falou muito disso, e se falava pouco de token imobiliário de propriedade. Mas há mais ou menos um ano, um ano e pouco, o mercado começou a olhar mais para os tokens imobiliários ‘de verdade’.”
Andreas explica que a tokenização não substitui a matrícula nem os contratos tradicionais: ela cria uma camada digital acima deles. O imóvel continua existindo no mundo “de papel”, mas os direitos do contrato passam a ser representados por um token, que pode ser transferido com facilidade:
“A tokenização não rasga o papel. A matrícula continua existindo, e o contrato de compra e venda também. O que muda é que eu atrelo um token a esse contrato, como se o celular virasse a ‘chave’ daquele direito. Em vez de eu te transferir papel, eu te transfiro o token, e o direito vai junto. E isso cria uma camada eletrônica programável: dá para automatizar consolidação, garantia e crédito. “
Segundo o especialista, a ideia é que a Web3 vai colocar o patrimônio dentro da internet. “Hoje, o dinheiro do mundo está basicamente em dois lugares: moeda fiduciária e imóveis, e os dois estão sendo tokenizados.”
Ele comenta que o mercado financeiro já fez essa transição há décadas com internet banking e, mais recentemente, com o PIX. Já o mercado imobiliário ainda é “patrimônio morto”: você coloca dinheiro no imóvel e perde liquidez.
Com tokenização, o imóvel ganha ‘liquidez’: vira um ativo que pode ser movimentado, usado como garantia e conectado a crédito com muito mais agilidade, no botão. Segundo ele, isso vai virar padrão nos próximos anos, com compra e venda digital e até o ‘botão comprar’ nos portais, como no e-commerce.
Por fim, Andreas assegura a validade jurídica de todos os trâmites:
“No Brasil, a compra e venda de imóveis sempre acontece fora do cartório, na camada dos contratos obrigacionais. O cartório entra depois, na camada do registro, que é onde o direito real é garantido.”
Por isso, de acordo com ele, a tokenização já é legal pelo Código Civil, porque qualquer pessoa pode negociar seus bens por contrato até “numa mesa de bar”.
“O que mudou foi que, com o mercado acelerando, registradores passaram a tentar vedar o vínculo entre token e matrícula, via ONR e notas técnicas. Alguns estados já bloquearam isso, mas o mercado não parou, porque a tokenização continua acontecendo na camada contratual.”











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