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O desenvolvimento de um empreendimento logístico envolve decisões que precisam ser tomadas antes mesmo da aquisição do terreno. Custos de construção, prazos de aprovação, velocidade de locação, despesas durante a vacância e valores de aluguel estão entre as variáveis que determinam se um projeto será financeiramente viável.
Para organizar essas informações e testar diferentes cenários, empresas do setor vêm recorrendo a ferramentas digitais de simulação. Essas tecnologias permitem reunir dados que antes eram analisados em planilhas separadas e calcular como mudanças nas condições do projeto podem afetar o retorno do investimento.
Um exemplo é a Calculadora de Viabilidade desenvolvida pela Retha. A ferramenta cruza custos relacionados ao terreno, às aprovações e à construção com projeções de receita provenientes da locação e da valorização do imóvel.
Segundo Augusto Barreto, arquiteto da empresa, a iniciativa surgiu no setor de Arquitetura, a partir da necessidade de avaliar com mais rapidez se o desenvolvimento de determinada área poderia apresentar um retorno compatível com o investimento necessário. O projeto também envolveu as equipes Comercial e de Tecnologia da Informação.
“A ideia original nasceu dentro do nosso setor de Arquitetura aqui na Retha. Nós lidamos diariamente com a análise de terrenos e sentíamos a necessidade de ter uma ferramenta mais ágil para validar se o desenvolvimento de uma área realmente parava em pé financeiramente. Mas para que ela se tornasse a ferramenta robusta que é hoje, o desenvolvimento foi feito em uma verdadeira força-tarefa, unindo a Arquitetura com o nosso time Comercial e o setor de TI”, explica.
A simulação começa com a inserção de informações como o tamanho do terreno, o custo estimado da obra e o valor de aluguel esperado. A partir desses dados, o sistema projeta despesas, prazos de construção e o possível ritmo de ocupação do galpão.
É considerado fatores como períodos de carência concedidos aos locatários, comissões comerciais, impostos e custos de manutenção. Também podem ser incluídas despesas com IPTU e condomínio durante o período em que parte ou a totalidade do imóvel permanecer desocupada.
Ao reunir essas variáveis, a tecnologia permite estimar o retorno financeiro do empreendimento e compará-lo com alternativas de investimento. O objetivo não é apenas calcular um resultado, mas identificar quais fatores exercem maior influência sobre a viabilidade do projeto.
“Ela funciona simulando a "vida real" de um projeto logístico. Nós inserimos as informações básicas, como o tamanho do terreno, a estimativa de custo da obra e o valor de aluguel pretendido. A partir daí, a calculadora faz o trabalho pesado: ela projeta o tempo e os custos da construção, simula o ritmo de locação do galpão (considerando meses de carência e comissões) e já desconta os impostos e custos de manutenção. No final, ela entrega de forma muito clara qual será o retorno do investidor, comparando o projeto diretamente com opções mais seguras, como a renda fixa”, explica Barreto.
Uma das aplicações desse tipo de ferramenta é a realização de testes de estresse. O responsável pela análise pode verificar, por exemplo, o que aconteceria se o custo da obra aumentasse 10%, se o cronograma sofresse atrasos ou se o galpão demorasse seis meses além do previsto para ser alugado.
Com a alteração das premissas, os indicadores financeiros são recalculados. Isso permite observar se o projeto continua viável em condições menos favoráveis e estimar a margem disponível para absorver imprevistos.
A análise também pode revelar situações em que um terreno aparentemente barato deixa de ser atrativo após a inclusão de despesas de aprovação, construção, manutenção e vacância. Da mesma forma, ajuda a identificar projetos muito dependentes de projeções otimistas de aluguel ou de uma ocupação rápida.
Simuladores de viabilidade podem tornar o processo de decisão mais ágil e padronizado, mas os resultados dependem diretamente da qualidade dos dados e das premissas utilizadas. Estimativas de custos desatualizadas ou projeções de aluguel distantes das condições de mercado podem produzir uma avaliação pouco realista.
Por isso, essas ferramentas funcionam como apoio, e não como substitutas das análises de engenharia, arquitetura, mercado, licenciamento e aspectos jurídicos. Seu principal papel é organizar informações, tornar os riscos mais visíveis e permitir que diferentes hipóteses sejam avaliadas antes que recursos sejam comprometidos.
Em um setor marcado por investimentos elevados e projetos de longo prazo, a capacidade de simular cenários ajuda incorporadores e investidores a compreender melhor as condições necessárias para que um empreendimento logístico seja sustentável do ponto de vista financeiro.
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