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A recuperação extrajudicial do Grupo Casas Bahia, iniciada em 2024, aliviou parte das obrigações financeiras da companhia, mas não solucionou todos os problemas do negócio. Segundo informações de mercado, a varejista prepara uma das maiores reduções de sua história recente, com o fechamento de 298 lojas e o desligamento de aproximadamente 1,9 mil funcionários.
As unidades representam 28,7% das 1.039 lojas que o grupo mantém no país. Já as demissões corresponderiam a cerca de 6,7% do quadro atual. Fontes do setor estimam que o número final de desligamentos possa chegar a 3 mil.
Até o momento, a empresa não divulgou um comunicado detalhando o plano. Caso as 298 lojas sejam efetivamente fechadas, a rede física cairá de pouco mais de mil para aproximadamente 741 unidades.
As informações de mercado também indicam que a companhia estaria alongando os prazos de pagamento à fornecedores e postergando repasses a lojistas de seu marketplace. Essas medidas teriam como objetivo preservar o caixa enquanto a empresa conclui uma nova etapa de sua reestruturação.
A Casas Bahia vendeu R$ 7.4 bilhões no primeiro trimestre de 2026, mas terminou o período com prejuízo de R$ 1 bilhão. Isso aconteceu porque a operação gerou R$ 597 milhões antes dos juros, enquanto as despesas financeiras chegaram a R$ 1.1 bilhão.
Em termos simples: a cada R$ 100 em vendas, a operação gerou R$ 8,10, mas os custos financeiros consumiram R$ 15,80. No fim, a empresa perdeu R$ 14,30.
A companhia afirma que sua dívida líquida caiu 68%, para R$ 1.2 bilhão. Parte dessa redução, porém, não veio das vendas: dívidas foram trocadas por ações, fazendo com que a Mapa Capital assumisse 89,6% da empresa. Quando outras obrigações são consideradas, como crediário, fornecedores financiados e fundos de recebíveis, o valor ainda chegava a cerca de R$ 4.4 bilhões.
A Casas Bahia também informou ter gerado R$ 852 milhões em caixa. Depois do pagamento de R$ 662 milhões em juros e R$ 414 milhões em empréstimos, porém, o caixa terminou R$ 224 milhões menor.
Parte dos recursos também foi preservada porque a empresa demorou mais para pagar seus fornecedores. O prazo médio subiu de 131 para 149 dias, o que, artificialmente, infla os valores em caixa, visto que o dinheiro fica mais tempo parado.
O fechamento de 298 lojas é muito superior à diminuição de 26 unidades observada nos 12 meses anteriores. A medida pode diminuir gastos, mas inicialmente gera rescisões, multas e baixas de ativos. Há ainda um risco comercial: as lojas físicas responderam por 67,6% da receita bruta de 2025 e apoiam retiradas, trocas, crediário e logística. Enquanto o canal digital próprio cresceu 27,4% no 1T26, o marketplace recuou 3%.
Os efeitos da reestruturação também aparecem na ocupação de condomínios logísticos. Dados do Market Analytics da SiiLA mostram que o grupo já vinha reduzindo ou redistribuindo seus espaços antes do atual plano de fechamento de lojas.
Em 2025, foram devolvidos aproximadamente 32 mil m² em Itajaí e Fortaleza, enquanto a entrada de 17,9 mil m² em Pernambuco compensou apenas parte das saídas. O saldo das movimentações identificadas foi uma redução próxima de 14 mil m² — um encolhimento que pode ser chamado de “otimização”, mas continua sendo encolhimento.
Atualmente, o grupo ainda ocupa cerca de 328 mil m². Em uma empresa pressionada a cortar custos e fechar quase 30% das lojas, essa área deixa de representar um centro de armazenamento e passa a ser uma extensa lista de espaços vagos.
Menos lojas podem significar menor necessidade de abastecimento, enquanto o crescimento digital pode compensar somente parte dessa redução. Caso novas áreas sejam devolvidas, o impacto poderá aparecer na vacância e nas negociações, especialmente porque a operação está concentrada em grandes espaços no Rio de Janeiro, em Pernambuco e em Extrema.
A companhia ressaltou que manterá as atividades durante o processo sem interrupções relevantes a serviços e operações já em andamento.











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