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Neste domingo (29), durante a conferência do Counselors of Real Estate em Nova York, um dos eventos imobiliários mais importantes dos EUA, Giancarlo Nicastro, CEO da SiiLA, foi um dos painelistas e fez uma apresentação exclusiva sobre as principais tendências do mercado imobiliário comercial na América Latina, com foco nos mercados do México e do Brasil.
Nicastro participou do painel “Global Cities in an Era of Change: From New York, Tokyo, Sydney, London and Beyond”, que contou com a presença de Steve Bass, da Nuveen Real Estate (Tóquio), Guniz Celen, da Celen Corporate Property (Turquia) e Herman Kok, da DISCvision (Holanda). A moderação foi conduzida por Michel Couillard, da Busac Real Estate.
Com mais de duas décadas de experiência no setor, Nicastro destacou que Brasil e México estão passando por uma recuperação no mercado de escritórios, um boom de investimentos e demanda por imóveis logísticos — impulsionado pelo fenômeno do nearshoring, especialmente no México — e uma transformação no segmento de varejo. Os shoppings estão se adaptando aos novos hábitos de consumo, transformando-se em espaços de lifestyle que combinam serviços, restaurantes, entretenimento e compras.
Ambos os países, conforme Nicastro ressaltou no início de sua apresentação, têm demonstrado uma impressionante resiliência econômica nos últimos anos. Apesar das taxas de juros elevadas, indicadores como o desemprego estão em queda, a inflação está recuando, e o dólar está se beneficiando do câmbio favorável. Aliado a isso, Brasil e México são conhecidos como mercados atraentes devido ao seu grande potencial de consumo.
Olhando para o mercado imobiliário, Nicastro destacou que no Brasil, a demanda por escritórios e espaços de varejo permanece elevada, já que o home office integral não foi amplamente aceito pela cultura local. Além disso, o mercado de imóveis logísticos de alto padrão é recente no país e vem crescendo a passos largos, enquanto as empresas buscam otimizar suas operações logísticas e de distribuição no país. No México, a realocação de cadeias de suprimentos tem fortalecido o setor industrial, especialmente nas cidades fronteiriças.
Neste cenário, a estabilidade econômica, a boa performance e o potencial de crescimento do mercado de ativos comerciais levam a América Latina a atrair investimentos estrangeiros.
A pandemia redefiniu o uso dos espaços de trabalho e, embora o modelo híbrido tenha ganhado força, a demanda por escritórios de alto padrão no Brasil e no México está se recuperando à medida que as empresas retornam aos escritórios com seus colaboradores.
No Brasil, o mercado de escritórios, especialmente em São Paulo, começou a se estabilizar após a pandemia. Os preços de mercado voltaram para quase US$ 20 por metro quadrado no segundo trimestre de 2024, após caírem para US$ 15 em 2020. A taxa de vacância vem caindo aos poucos, porém ainda se mantém acima de 20%.
Segundo Giancarlo Nicastro, condições inadequadas para o trabalho remoto nas casas brasileiras, incertezas sobre a legislação do home office e a adaptação dos colaboradores ao trabalho híbrido levaram muitas empresas a investirem em seus espaços de trabalho para engajar as equipes a voltarem neste novo cenário.
No México, o mercado imobiliário corporativo se comporta de maneira semelhante, com uma recuperação no valor de mercado do m² e uma vacância ainda acima dos 20%. Segundo o CEO da SiiLA, fatores como a demanda por espaços flexíveis, a preferência por contratos de curto prazo e o foco em propriedades de alta qualidade estão impulsionando a recuperação do setor.
O mercado de imóveis logísticos é o que tem melhor performado nos países-chave da América Latina. No Brasil, a evolução do e-commerce vem transformando a cultura do consumo local, levando empresas a investirem pesado em boas operações logísticas, buscando melhor armazenar e distribuir produtos por todo o país. Além do e-commerce, setores como farmacêutico e automotivo, por exemplo, começaram a enxergar os benefícios de usufruir de condomínios logísticos para suas operações, que antes muitas vezes eram realizadas em galpões próprios, mas com estruturas não tão robustas.
Nicastro ressaltou durante a apresentação o potencial do Brasil para imóveis logísticos, já que, no momento, 80% de todo o estoque nacional ainda está concentrado no Sudeste, bloco composto por quatro estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo.
Já no México, a força motriz por trás do boom logístico tem sido as empresas que buscam aproximar suas cadeias de suprimentos aos EUA. Cidades fronteiriças como Monterrey e Tijuana têm visto um aumento na demanda por propriedades industriais, reduzindo as vacâncias a níveis históricos e elevando os preços de mercado. Setores como automotivo, manufatura e logística estão liderando essa expansão, posicionando o México como um centro estratégico para o nearshoring na América do Norte.
O comércio eletrônico transformou a maneira como as pessoas compram, mas os shoppings no Brasil e no México estão evoluindo para se manterem relevantes, tornando-se verdadeiros centros de experiências completas.
No Brasil, os ativos das classes B e C dominam o setor, representando quase 92% do estoque. Enquanto isso, as taxas de vacância dos shoppings vêm caindo, e os empreendimentos estão investindo na estratégia de oferecer soluções para o dia a dia dos consumidores, combinando gastronomia sofisticada, entretenimento, mercado e serviços às tradicionais lojas de compras.
No México, o setor de varejo segue um caminho semelhante. A diversificação dos formatos de shopping reforça as estratégias dos players em oferecer ativos que funcionem como “micro-cidades”, oferecendo não só vendas, mas outros serviços para o público. A vacância nos shoppings já caiu 35% desde o pico de 2022, e os investimentos no setor estão altos: há novos empreendimentos em construção, que estão previstos para entrar no estoque mexicano nos próximos anos.
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