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Dados do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) revelam que o Brasil foi o principal destino do gigante asiático para investimento. Em 2025, estima-se o recebimento de US$ 6,1 bilhões, cerca de 45% a mais que em 2024. Ao todo, o Brasil representou 10,9% dos investimentos globais chineses.
O investimento vai além da compra de commodities e está cada vez mais direcionado à construção, ampliação e consolidação de uma base produtiva local. O próprio relatório destaca que o mercado consumidor brasileiro oferece escala suficiente para justificar a produção nacional, transformando o país em uma plataforma de exportação para outros mercados da América Latina, como é o caso da BYD.
Um dos principais indicativos dessa mudança é que 82,7% dos investimentos chineses anunciados em 2025 ocorreram por meio de projetos greenfield, modalidade que envolve novas operações, expansões produtivas ou desenvolvimento de ativos. Na prática, isso significa que a maior parte do capital está sendo destinada à criação de capacidade operacional dentro do país.
Os reflexos desse movimento já podem ser observados no mercado imobiliário. Dados exclusivos da SiiLA mostram que empresas chinesas acumularam cerca de 1,2 milhão de metros quadrados de absorção líquida em imóveis industriais e logísticos entre o primeiro trimestre de 2021 e o primeiro trimestre de 2026.
Grande parte desse crescimento foi liderada por empresas ligadas ao comércio eletrônico. A Shopee respondeu pela maior expansão do período, com aproximadamente 800 mil m² de absorção líquida, seguida pela Shein, com cerca de 215 mil m². Juntas, as duas companhias concentram mais de 80% de toda a expansão imobiliária observada entre as empresas chinesas analisadas pela SiiLA.
Além do e-commerce, a expansão também alcançou setores de tecnologia, manufatura e mobilidade. Empresas como Huawei, Lenovo, TCL, BYD, Midea Carrier, Yangzi e Anjun ampliaram suas operações ao longo dos últimos cinco anos.
Entre os destaques, a Huawei praticamente dobrou sua ocupação imobiliária no período, passando de 17,8 mil m² para 34,9 mil m², enquanto a Lenovo ampliou sua presença em mais de 7 mil m². Já a BYD, que inaugurou sua operação produtiva no Brasil, registrou absorção líquida próxima de 10 mil m². A TCL, por sua vez, adicionou mais de 61 mil m² à sua ocupação.
Entre o primeiro trimestre de 2021 e o primeiro trimestre de 2026, a área ocupada por companhias chinesas em imóveis logísticos de alto padrão saltou de 654 mil m² para 1,28 milhão de m², um avanço de aproximadamente 621 mil m² ou 95% no período.
Quando analisada a absorção líquida acumulada no período, a China aparece como a segunda nacionalidade que mais gerou demanda por espaço logístico no país, com saldo positivo de 1,2 milhão de m². O resultado fica atrás apenas da Argentina, que acumulou absorção líquida de 1,87 milhão de m², causada pela grande demanda do Mercado Livre.
Sendo assim, as companhias chinesas superam, com ampla margem, economias tradicionalmente associadas ao investimento produtivo no Brasil. Os Estados Unidos registraram absorção líquida de 637 mil m², praticamente metade do volume observado pelas empresas chinesas, enquanto Alemanha e Japão apresentaram saldos de 212 mil m² e 199 mil m², respectivamente.
Em 2021, as chinesas ocupavam a 13ª posição entre as nacionalidades estrangeiras com maior presença em imóveis logísticos A+ e A. Cinco anos depois, alcançaram a quinta colocação, ultrapassando mercados tradicionalmente mais consolidados no Brasil, como Canadá, Bélgica, México, Taiwan e Suíça.
O desempenho também chama atenção porque ocorreu em um contexto no qual diversas nacionalidades apresentaram crescimento modesto, estagnação ou até mesmo retração de área ocupada. Países como Holanda, Suíça, Peru, Índia e Austrália encerraram o período com absorção líquida negativa, indicando redução ou encerramento de suas operações imobiliárias. Na direção oposta, as empresas chinesas não apenas ampliaram sua presença física, mas consolidaram-se como um dos principais motores de demanda para o segmento logístico brasileiro.
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