CONTEÚDO EXCLUSIVO
Se inscreva para ficar por dentro das novidades do mercado imobiliário, dos eventos, notícias e análises!

A busca por entregas cada vez mais rápidas está transformando o mapa logístico brasileiro. Se antes os grandes centros de distribuição se concentravam principalmente em São Paulo e em outras capitais, a expansão do e-commerce e a popularização das entregas em até 24 horas vêm levando empresas a instalar operações mais próximas dos consumidores, impulsionando cidades médias e polos regionais.
O movimento pode ser observado em diferentes frentes. Em maio, a Amazon inaugurou um novo centro de distribuição em Salvador, voltado para atender Bahia e Sergipe, permitindo entregas no mesmo dia para consumidores baianos. A companhia afirma que já possui mais de 300 centros logísticos espalhados pelo país e tem acelerado sua expansão para regiões fora dos tradicionais eixos logísticos nacionais.
O Grupo Casas Bahia segue caminho semelhante. A empresa destaca que 43% das entregas realizadas pelo canal online já acontecem em até 24 horas, resultado de uma malha formada por 24 centros de distribuição, mais de 120 estações de cross docking e cobertura em todos os municípios brasileiros.
Para Lessandro Herbert, proprietário do condomínio logístico Park 040, em construção em Juiz de Fora (MG), a tendência é consequência direta da mudança no comportamento do consumidor.
"O cliente do país inteiro tem se acostumado a comprar cada vez mais online e quer receber cada vez mais rápido. Como o Brasil depende fortemente da malha rodoviária, é preciso estar próximo do cliente final para ser eficiente na entrega e ganhar fidelidade", afirma.
Segundo ele, a mudança já pode ser percebida na Zona da Mata Mineira. "Percebe-se o fechamento de lojas nas regiões centrais e o aumento nítido na frequência e diversidade do comportamento de compras online", diz.
A aposta do empresário é que cidades com localização estratégica ganhem importância dentro das cadeias logísticas. Juiz de Fora está posicionada entre os mercados consumidores de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, além de contar com acesso à BR-040, proximidade do Porto Seco e do Aeroporto Regional da Zona da Mata.
A descentralização não se limita aos grandes varejistas. Empresas de transporte também vêm ampliando serviços expressos em mercados regionais. A Águia Branca Encomendas anunciou recentemente a oferta de entregas em até 24 horas para municípios do interior da Bahia, como Paratinga e Bom Jesus da Lapa, demonstrando que a demanda por rapidez já alcança localidades distantes dos grandes centros urbanos.
Dados do Market Analytics da SiiLA mostram que a corrida por entregas mais rápidas está ajudando a redesenhar o mapa logístico brasileiro. Entre o primeiro trimestre de 2024 e o primeiro trimestre de 2026, empresas do segmento de Bens de Consumo absorveram aproximadamente 2,53 milhões de m² em condomínios logísticos no país.
Embora os grandes polos continuem relevantes, o crescimento mais recente tem sido acompanhado pela expansão das operações para mercados regionais, em uma estratégia que busca aproximar estoques dos consumidores e reduzir os prazos de entrega.
O Nordeste é um dos principais exemplos desse movimento. Em Pernambuco, Jaboatão dos Guararapes registrou cerca de 105,5 mil m² de absorção bruta no período analisado, enquanto Cabo de Santo Agostinho somou outros 85,1 mil m². Na Bahia, Simões Filho alcançou aproximadamente 65,5 mil m².
A presença crescente de empresas como Mercado Livre e Shopee nessas localidades mostra como a logística do e-commerce vem se espalhando para além dos centros tradicionais, criando estruturas mais próximas dos mercados consumidores regionais.
O avanço também pode ser observado em outras regiões do país. No interior paulista, Ribeirão Preto acumulou cerca de 46,7 mil m² de absorção bruta, consolidando sua posição como importante ponto de distribuição para cidades do interior.
No Sul, Itajaí (SC) registrou aproximadamente 39,2 mil m², enquanto Quatro Barras (PR) somou 36,5 mil m² e Nova Santa Rita (RS), 23,5 mil m². Já no Espírito Santo, os municípios de Serra e Viana responderam juntos por cerca de 67,6 mil m² de absorção.











Se inscreva para ficar por dentro das novidades do mercado imobiliário, dos eventos, notícias e análises!
