Se inscreva para ficar por dentro das novidades do mercado imobiliário, dos eventos, notícias e análises!

A inadimplência do empresário francês Alexandre Allard está ameaçando um dos empreendimentos de luxo mais icônicos de São Paulo, o Complexo Cidade Matarazzo. A polêmica vem da inadimplência de um empréstimo de R$ 335 milhões, que tem raízes que levam até ao Banco Master.
O financiamento, firmado em 2024, teve como destino investimentos no próprio empreendimento, criado por Allard e no qual ele detém uma participação minoritária de 20%. O risco da inadimplência está na garantia da operação, o empresário ofereceu sua fatia do ativo.
Mas a polêmica não chegou de maneira inesperada, os primeiros sinais de estresse financeiro surgiram no início de 2025. A parcela inaugural do contrato, de R$ 9 milhões, com vencimento em 18 de fevereiro, não foi quitada. O mesmo ocorreu com a segunda parcela, também de R$ 9 milhões, vencida em março, caracterizando a inadimplência e elevando o risco de execução da garantia.
Na prática, o mecanismo contratual prevê que, em caso de não regularização da dívida, a participação de Allard no empreendimento possa ser transferida — seja ao próprio banco, seja a terceiros interessados — como forma de compensação financeira. O movimento abre espaço para uma possível reconfiguração societária dentro do complexo.
O Cidade Matarazzo abriga o Rosewood São Paulo, um dos ativos mais relevantes do projeto e frequentemente citado entre os hotéis de maior padrão da América do Sul. Além disso, o complexo tem seu terreno uma torre corporativa, a Torre Rio Claro Offices.
Apesar da exposição do ativo na operação, a eventual execução da garantia não implica impacto direto na operação dos empreendimentos, os quais seguem funcionando normalmente.
O enfraquecimento de Alexandre Allard ganhou contornos mais claros ainda em dezembro de 2025, quando o empresário foi afastado do conselho de administração da BM Empreendimentos (BME), veículo ligado ao Cidade Matarazzo. A movimentação foi liderada pela Chow Tai Fook Enterprises (CTF), acionista majoritária do projeto e detentora da bandeira Rosewood no empreendimento.
Apesar do revés, Allard conseguiu evitar uma derrota mais ampla: a assembleia rejeitou a tentativa da CTF de reprovar as contas do FIP BM 888, fundo que concentra praticamente a totalidade das ações do complexo, mantendo algum equilíbrio momentâneo na disputa.
Ainda assim, o episódio escancarou a crescente pressão sobre sua posição. A própria estrutura do fundo, gerido pela Tivio Capital, joint venture entre o Banco Bradesco e Votorantim, optou por uma abordagem mais cautelosa, priorizando a análise interna antes de qualquer ação judicial mais ampla. Paralelamente, a CTF avançou em outras frentes, questionando custos das obras e taxas aplicadas, além de aprovar uma ação de responsabilidade contra Allard.
Com os novos desdobramentos, o que está em jogo não é a continuidade do ativo, mas o controle sobre ele. Com a possível saída de Allard da sociedade, investidores já presentes no projeto podem ampliar sua participação. A CTF, pelo fato de ser a atual sócia do empreendimento, possui direito de preferência na aquisição da fatia, o que pode levar a uma maior concentração de controle.
Fique por dentro das notícias do mercado imobiliário em nosso grupo do WhatsApp. Acesse: https://bit.ly/REsourceWpp











Se inscreva para ficar por dentro das novidades do mercado imobiliário, dos eventos, notícias e análises!
