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Entre escombros e memórias: a triste realidade dos prédios abandonados do Rio de Janeiro

  • O historiador Douglas Liborio afirma que o problema é sistêmico e não é de simples solução

Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro | Foto: Agência Brasil/Fernando Frazão
Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro | Foto: Agência Brasil/Fernando Frazão
Por: SiiLA News
06/05/2024

Ao caminhar pelo Rio de Janeiro, é possível ver um pedaço da história do Brasil, um passado presente por meio de edifícios icônicos e imponentes, os quais abrigavam políticos, músicos e atores, prédios que inspiraram canções, pinturas e filmes. Mas um pedaço dessa história está à mercê do tempo, abandonados e sem cuidados, se escondendo as sombras dos edifícios modernos. 

Um levantamento realizado pela Subprefeitura do Centro do Rio de Janeiro, em outubro de 2023, mostrou que, apenas na região central, 158 edifícios estão abandonados e em péssimo estado de conservação – ou seja, impróprios para uso. 

Eduardo Paes, atual prefeito da cidade maravilhosa, assinou um decreto, na mesma época que o levantamento da Subprefeitura, que afirmava que imóveis que apresentarem sinais de abandono poderão ser considerados como bens vagos e, num prazo de três anos, passarão à propriedade do município. 

Para Douglas Liborio, historiador e pesquisador da Escola do Legislativo da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), a questão do abandono no centro da cidade é o resultado de problemas históricos, os quais vão desde a ida da capital nacional para Brasília, até as políticas públicas mais recentes. 

“Vale a pena a gente pensar, principalmente, que esse abandono do patrimônio do centro da cidade gira em torno de uma questão demográfica, econômica e política”, conta Liborio. 

O historiador conta que com a movimentação de empresas para São Paulo, entre a década de 40 e 50, foi o catalisador econômico do problema, fazendo com que os espaços vagos fossem ocupados por empresas públicas. Do lado político, a mudança da capital de República, saindo do Sudeste e indo ao Centro-Oeste, levou o poder público federal. Como consequência, houve uma migração de pessoas para a zona oeste da cidade e outros estados também entre os anos 60 e 70, resultando em uma grande queda demográfica. 

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