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A adoção da estratégia de construção de um portfólio multiuso vem se tornando uma tendência evidente no mercado atual. Esse movimento cresce à medida que gestores percebem que cada tipologia seja escritórios, logística e shoppings, responde de forma distinta aos ciclos econômicos. Misturá-las em um mesmo veículo cria uma combinação de maior estabilidade, diversificação e capacidade de atravessar ciclos longos sem rupturas bruscas.
Como explica Bruno Nardo, sócio da RBR Asset Management, essa tendência já é perceptível no comportamento da indústria:O racional é simples: cada tipologia tem seu próprio motor econômico. Escritórios respondem ao apetite corporativo e às transformações do modelo de trabalho; galpões logísticos seguem o ritmo do e-commerce e o avanço da cadeia de supply chain; enquanto shoppings carregam contratos de longo prazo e maturação estendida.
Quando essas naturezas convivem no mesmo portfólio, suas diferenças criam complementaridade. Nardo reforça exatamente esse ponto:
“A diversificação entre classes gera valor em vários níveis: diversificação de crédito, de ciclos e até de negócios. Quando você consolida várias tipologias em um único veículo, cria uma proteção natural.”
A pandemia é o grande exemplo que sedimentou essa tese.
“Se você estivesse 100% em shoppings, teria sofrido muito. Mas se tivesse
shopping e galpões, teria capturado o boom do e-commerce. Escritórios também
sofreram, mas hoje está claro que o modelo predominante é o híbrido, e o setor
continua fundamental.”
“O essencial é localização. Você pode até comprar um
ótimo ativo mal localizado, mas ele nunca vai se mover para um lugar melhor. A
análise é sempre ativo a ativo.”
Na RBR, a análise é feita “do tijolo para o financeiro”. Não há metas fixas
de alocação por setor. O filtro é qualidade, risco e retorno.
Se o desafio é crescer, a grande oportunidade está
justamente nas distorções do mercado.
“Hoje o mercado precifica muito risco: juros altos, NTM elevado, eleição
chegando. Isso cria a chance de comprar no secundário ativos espetaculares,
muitas vezes com desconto, ativos que exigiriam cheques enormes se fossem
adquiridos diretamente.”
Para Bruno, o investidor que mira longo prazo tem hoje um
cenário incomum de entrada:
“É a oportunidade de acessar imóveis de altíssima qualidade com um cheque
pequeno. Mas, devemos estar sempre cientes dos riscos, quem não quer risco vai
para poupança ou CDB. Agora, para dar o primeiro passo no risco, fundos
imobiliários são excelentes.”











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