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Encontrar o imóvel certo costuma ser visto como o principal desafio de uma empresa ao expandir sua operação para uma nova cidade. Na prática, porém, a escolha do espaço é apenas a parte mais visível de um processo que envolve arquitetura, obras, mobiliário, tecnologia, licenças e facilities.
“Achar o imóvel certo é só a parte visível do processo. O problema que realmente pega as empresas de surpresa é a gestão simultânea de diversos fornecedores com prazos diferentes”, afirma Nikolas Matarangas, CEO e fundador da Be In.
Como essas frentes são interdependentes, um atraso pode comprometer todo o cronograma. O risco aumenta quando cada fornecedor é contratado e administrado separadamente, sem um responsável por coordenar o projeto de ponta a ponta.
A origem da decisão também ajuda a mostrar se a empresa está realmente preparada para entrar em uma nova cidade ou apenas reagindo a uma oportunidade comercial.
Segundo Matarangas, organizações mais estruturadas buscam escritórios menores, unidades-satélite ou franquias como parte de uma estratégia clara de regionalização, crescimento geográfico ou abertura de novos mercados. Normalmente, o processo é centralizado e existe uma preocupação em manter o padrão da matriz.
“Geralmente, as empresas prontas para expandir chegam com um padrão consistente: já são organizações de porte considerável buscando escritórios menores, satélites ou franquias, motivadas por uma estratégia clara de crescimento geográfico, regionalização ou abertura de novos mercados”, explica.
O cenário oposto ocorre quando a expansão nasce de um imóvel ou de uma condição comercial específica, sem que a empresa tenha definido previamente como a unidade será implantada e administrada.
“A oportunidade pode até ser boa, mas, sem essa estrutura por trás, o risco de frustração na execução aumenta bastante”, alerta.
Mesmo um projeto bem executado pode não alcançar o resultado esperado quando o espaço é planejado sem considerar as necessidades de quem vai ocupá-lo.
Matarangas relata o caso de um cliente que priorizou áreas para eventos e recepção de visitantes. Embora a proposta parecesse adequada no planejamento, o escritório acabou sendo pouco útil para os próprios colaboradores e precisou ser reformulado.
“O primeiro sinal de que algo está incoerente é justamente esse: baixo uso do espaço pelo dia a dia”, afirma. “O aprendizado principal é entender com clareza qual é o objetivo real do espaço e qual é a dor de quem já o usa no dia a dia, antes de desenhar um escritório bonito no papel que não resolve o problema de quem realmente vai ocupá-lo.”
A entrada em uma nova cidade também depende de informações que nem sempre aparecem em buscas convencionais por imóveis. Conhecer o estoque disponível, os valores praticados, a qualidade dos empreendimentos e os fornecedores locais pode reduzir custos e evitar meses de procura improdutiva.
“O conhecimento local mais valioso é conhecer a cidade no sentido operacional: saber qual é o estoque real de imóveis disponíveis na região, ter uma rede de fornecedores homologados já testada localmente e ter capacidade de negociação direta com proprietários”, diz Matarangas.
Para empresas que precisam estruturar rapidamente uma nova unidade, o executivo aponta três decisões prioritárias: definir o padrão do escritório antes de procurar o imóvel; centralizar a gestão de fornecedores e cronogramas; e planejar a operação pós-entrega, incluindo facilities, tecnologia e suporte.
“Esse é o ponto que normalmente vira gargalo quando a obra termina e a operação precisa simplesmente funcionar”, conclui.
Assim, o imóvel pode ser o ponto de partida da expansão, mas o sucesso da nova unidade depende da integração entre estratégia, execução, conhecimento local e operação.
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