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O desempenho de um dos principais empreendimentos da Faria Lima vem sendo questionado por alguns investidores. O Birmann 32, o famoso B32 ou “prédio da baleia”, controlado e administrado pela BGR, vem sofrendo críticas por não atingir, em suas locações, todo o potencial financeiro esperado de um ativo de seu padrão e localização.
Apesar de possuir baixa vacância, próxima de 4%, as observações estão concentradas no desempenho comercial do empreendimento. Dados da SiiLA mostram que o Valor de Mercado atual do B32 é de R$ 338,18/m², mas seu histórico recente de locações tem seguido abaixo das referências estimadas para o edifício.
O comportamento destoa do momento vivido pelos escritórios de alto padrão da região. Desde 2023, aproximadamente oito em cada dez locações registradas em outros edifícios de alto padrão próximos ao B32 foram fechadas acima do Valor de Mercado vigente na data de cada negociação.
Ao todo, 25 das 31...
A primeira delas envolveu o Jefferies Group. Em setembro de 2023, a empresa locou 480,93 m² por R$ 290/m², valor 2,8% inferior à referência de R$ 298,40/m².
Em março de 2024, o Banco Master contratou 7.919,66 m² por R$ 293/m². O desconto foi de apenas 0,7% diante do Valor de Mercado de R$ 295/m². Três meses depois, a Cosan locou 1.506,64 m² por R$ 295/m², ficando 1,1% abaixo da referência.
O Jefferies voltou a ampliar sua ocupação em maio de 2025, desta vez com a locação de 567,14 m² por R$ 302,32/m². Na ocasião, o Valor de Mercado do B32 era de R$ 312,45/m², indicando uma diferença de 3,2%.
A maior operação e também o maior desconto vieram em março de 2026. A Shopee renovou três andares e contratou outros cinco pavimentos, além de parte do 20º andar. O acordo envolveu 15.998 m² por R$ 314,60/m², totalizando pouco mais de R$ 5 milhões mensais.
Na data da transação, o Valor de Mercado do B32 era de R$ 333,18/m². O contrato foi assinado 5,6% abaixo da referência.
Nas locações inferiores a 1.000 m², os demais edifícios A+ da região negociaram, em média, 4,9% acima do Valor de Mercado. As duas operações do B32 nessa faixa, ambas com o Jefferies, ficaram cerca de 3% abaixo. Entre 1.000 e 3.000 m², os concorrentes superaram a referência em 13,6%, enquanto o contrato da Cosan no B32 ficou 1,1% abaixo. Nas grandes ocupações, acima de 3.000 m², os outros empreendimentos negociaram, em média, 8,9% acima do mercado; no B32, Banco Master e Shopee fecharam abaixo.
Os descontos individuais do B32 não são enormes. Variam entre 0,7% e 5,6%, diferenças que, separadamente, poderiam passar quase despercebidas. O que chama atenção é a disciplina: cinco operações, cinco contratos abaixo da referência.
A baixa vacância mostra que existe demanda e que o edifício consegue atrair grandes empresas. A discussão não está em ocupar seus andares, mas no preço aceito para ocupá-los. Ao fechar todas as operações analisadas abaixo do Valor de Mercado, enquanto a maior parte dos vizinhos avança acima da referência, o B32 levanta a dúvida sobre se a estratégia comercial não está deixando dinheiro na mesa.
Priorizar contratos longos e previsibilidade de receita pode ser uma estratégia legítima. Espaço vazio, afinal, não paga aluguel. Mas, em uma região onde a maioria dos edifícios A+ consegue negociar acima do Valor de Mercado, o prédio da baleia parece garantir a plateia sem necessariamente cobrar o ingresso que o espetáculo permitiria.
O B32 permanece como um dos cartões-postais da Faria Lima. O desafio da gestão é fazer com que seus contratos alcancem a mesma imponência de sua arquitetura.
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