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A Faria Lima é considerada o polo econômico brasileiro. Sua região é conhecida pelos ativos de alto padrão e empresas de finanças e tecnologia. Porém, dados do Market Analytics revelam que, nos últimos cinco trimestres, as absorções líquidas (termo que define o saldo entre novas locações e devoluções) da região foram negativas, ou seja, mais empresas saíram ou reduziram espaço do que entraram ou ampliaram.
Apenas no primeiro trimestre de 2024, foram mais de 17 mil m² negativos de absorção líquida. O número foi impulsionado pela saída da SulAmérica do edifício que carrega o nome da empresa. Os 12 mil m² não foram ocupados por ninguém e a seguradora mudou de ares e de nome, indo para a região da Avenida Paulista.
Outra saída recente e marcante na região foi no International Plaza II, onde o Banco Safra deixou de ocupar um pouco mais de mil metros quadrados. Ao todo, no primeiro trimestre, os inquilinos da região desocuparam 33 mil m². A absorção bruta (termo que define total de novas locações) foi de 15 mil m².
Nos últimos 12 meses, a absorção líquida da região foi de 23 mil m² negativos. De todas as regiões de São Paulo, é o maior número líquido negativo, estando à frente até mesmo do centro de São Paulo e Alphaville – ambos com 13 mil m² de absorção líquida negativa.
Sejam empresas de mídia e informação, como a WarnerMedia, ou de tecnologia, como o X (ex-Twitter), está acontecendo uma debandada de empresas na região. E os motivos podem ser diversos.
Hoje, o preço médio pedido na Faria Lima é o mais alto de São Paulo, com uma média de R$ 246,49/m², sendo o valor mais alto R$ 330 m², na área BOMA, no Corporativo Faria Lima, edifico classe A de 13 mil m², pertencente ao Grupo 4M, entregue em dezembro.
Em ativos classe A+, nos últimos 12 meses, ocorreu um aumento de 13,9% no preço médio pedido. Em empreendimentos classe A, esse aumento foi ainda mais sentido, chegando a 80,1%.
Se utilizarmos como exemplo a fabricante de pneus Pirelli, que ocupava dois mil metros quadrados no Praça Faria Lima, ela vai passar a ocupar praticamente a mesma metragem no Parque da Cidade, na Chucri Zaidan. Ambos os ativos são classe A+, porém o preço pedido pelos proprietários do Praça Faria Lima é R$ 248,87/m², já os valores do Parque da Cidade são R$ 100/m².
Para Giancarlo Nicastro, CEO da SiiLA, o que está acontecendo é um efeito colateral das revisionais. O executivo faz um retrospecto do período pandêmico no qual, por medo de um esvaziamento dos escritórios, os proprietários mantiveram os preços do período pré-pandemia ou até mesmo reduziram os valores.
“Agora, três anos depois, os contratos fechados naquele período serão revistos e muitos inquilinos estão apreensivos com isso. Se observar os últimos movimentos de mercado, podemos ver que a região já está ultrapassando os R$ 300/m² em lajes de 2 ou 3 mil m², isso seria mais comum de ser ver em prédios boutiques, que possuem lajes menores e não em edifícios como esses”, explica.
Nicastro conta que algumas empresas estão fazendo as contas e notam que estar na Faria Lima pode não fazer mais sentido, visto que há prédios de qualidade na Rebouças ou na Chucri Zaidan muito mais baratos.
“Há casos na Faria Lima que, em questão de três meses, vimos um aumento de 68% no preço pedido, algo que não faz sentido. A renegociação de contratos é algo natural, mas estamos vendo uma artificialidade nos aumentos que não condiz com a realidade econômica, e não estou falando do mercado imobiliário, estou falando da economia no geral”, finaliza Nicastro.











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