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Com as empresas buscando se adaptar a um mercado que hoje exige ambientes de trabalho cada vez mais saudáveis, eficientes e produtivos, muitas vezes mirando selos como o GPTW (Great Place to Work), não é raro ver organizações adotando tendências quase no automático, sem antes refletir se elas realmente fazem sentido para sua operação.
Um dos exemplos mais comuns é o modelo Open Space: integrar equipes e concentrar todos em um grande ambiente compartilhado. Embora esse formato tenha funcionado muito bem em diversas empresas, ele só traz resultados quando é implementado com estratégia e alinhado à realidade de cada negócio. Em alguns casos, simplesmente não combina com o perfil da companhia.
“Derrubem as paredes!” Certo… e agora?
Pense comigo: quebrar barreiras físicas sem um planejamento claro pode virar um caos. Já imaginou o time comercial e o financeiro coexistindo no mesmo ambiente? Enquanto um fala a plenos pulmões tentando adquirir, reter e fidelizar clientes, o outro está tentando fechar o balanço da empresa sem cometer um único erro, daqueles que podem custar o emprego. Não combina, né?
Para entender melhor como esse modelo pode ser aplicado de forma inteligente e quando ele pode ser um erro, o REsource entrevistou Gustavo Comeli, professor da Fundação Vanzolini, e Tarim Vargas, diretor corporativo da T2 Arquitetura.
Vargas faz um diagnóstico do cenário e aponta os principais equívocos ligados ao modelo:
“O open space nasceu como resposta a estruturas hierárquicas rígidas e ganhou força com a promessa de colaboração, flexibilidade e eficiência espacial. O problema é quando ele deixa de ser uma escolha estratégica e passa a ser aplicado de forma automática, sem leitura da cultura, das atividades e do perfil da empresa. Funções que exigem alta concentração, confidencialidade ou precisão como jurídico, financeiro, tecnologia em fases críticas, criação técnica ou análise de dados, tendem a sofrer em ambientes totalmente abertos.”
Comeli complementa o raciocínio ao trazer pontos de atenção sobre produtividade e concentração em determinados contextos:
“O open space é um espaço de circulação, informalidade e interação rápida. Mas quando a pessoa precisa parar, pensar e construir algo com cuidado, o ambiente aberto começa a atrapalhar. Isso impacta produtividade, qualidade e prazo de entrega.
Na prática, o que a gente vê é gente fugindo do open space: indo para áreas mais silenciosas ou até ocupando salas de reunião o dia inteiro para conseguir trabalhar. Isso mostra que, para determinados perfis e atividades mais complexas, o open space não colabora com a produtividade. Não é só preferência pessoal: é adequação entre ambiente, tipo de trabalho e perfil do colaborador.”
Em contrapartida, o professor ressalta que, quando bem aplicado, o modelo cria um ambiente mais descontraído e menos engessado, facilitando a interação e a integração:
“Existem modelos mais demarcados e outros totalmente livres, em que as pessoas escolhem onde sentar conforme o trabalho do momento. Se surge um projeto com outra área, o time se organiza, senta junto e resolve. Além disso, reduzir barreiras visuais ajuda muito em interações rápidas e informais, que muitas vezes resolvem problemas sem virar reuniões longas.”
Vargas reforça que o problema não está no conceito em si, mas na falta de contrapesos:
“O problema está na ausência de complementos. Open space sem salas fechadas, áreas de silêncio, cabines individuais ou espaços de refúgio gera desgaste e queda de produtividade. Isso exige mapear tarefas, tempos de concentração, momentos de troca e pausas.”
Para Comeli, o open space segue relevante, mas perde o protagonismo absoluto:
“Ele não desaparece, mas deixa de ser o centro. O ambiente passa a ser menos sobre ‘todo mundo junto o tempo todo’ e mais sobre ‘quando faz sentido estar todo mundo junto’.”
Vargas conclui:
“Ele será menos dominante e mais qualificado, integrado a espaços de apoio e pensado para encontros, colaboração e cultura, não como solução universal para todas as atividades.”











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