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A sustentabilidade se consolidou como uma das principais
tendências do momento. Com as questões ambientais cada vez mais presentes no
debate público, o consumidor passou a ser mais criterioso não apenas em relação
aos produtos que consome, mas também à postura e à imagem das empresas por trás
deles.
No Real Estate, esse movimento se reflete na busca crescente por edifícios
corporativos que incorporem práticas sustentáveis, permitindo que o discurso
das empresas esteja alinhado à sua operação cotidiana. Ainda assim, persiste a
ideia de que apenas grandes companhias conseguem acompanhar essa transformação.
Esse estigma parte do entendimento de que empresas de grande porte, com orçamentos mais robustos, teriam maior capacidade de investir em soluções sustentáveis, enquanto pequenas e médias empresas (PMEs) priorizariam demandas mais imediatas para a sobrevivência do negócio. Será que essa lógica ainda faz sentido?
Segundo Felipe Faria, CEO do Green Building Council Brasil (GBC Brasil), a presença de PMEs em edifícios sustentáveis já é uma realidade no país. Hoje, o Brasil soma mais de 1.400 empreendimentos certificados junto à entidade, majoritariamente pelo protocolo internacional LEED. “A grande maioria dos empreendimentos certificados são corporativos A+, todavia há salas comerciais certificadas que atendem majoritariamente PMEs”, afirma.
Além disso, há um movimento crescente de empresas menores que optam por certificar suas próprias sedes administrativas ou apenas o espaço que ocupam dentro de um edifício, por meio do LEED ID+C (Interior Design and Construction), voltado para projetos de interiores e reformas.Para Faria, essa visão nasce de uma compreensão incompleta sobre sustentabilidade. “A percepção de que custa muito caro vem da falta de desenvolvimento do pilar econômico e da pouca compreensão de que investimentos em engenharia e arquitetura nas fases iniciais podem levar a uma certificação internacional no mais alto nível sem acréscimo de custos de construção”.
Uma pesquisa do GBC Brasil reforça essa distorção: 100% das incorporadoras que não adotam certificações acreditam que há altos acréscimos de custos, enquanto 71,5% das que utilizam os protocolos afirmam que não houve aumento ou que ele foi aceitável.Um ponto central do debate é se a sustentabilidade precisa, obrigatoriamente, de uma certificação formal para gerar valor.
Na visão de David Douek, CEO da OTEC, ele diz que a sustentabilidade pode existir mesmo sem um selo formal. “Decisões corretas de projeto, sistemas eficientes, boa qualidade construtiva, comissionamento e gestão predial qualificada já são capazes de gerar valor econômico e funcional”, diz. No entanto, ele reconhece que a certificação tem um papel estratégico: “Ela não cria eficiência onde ela não existe, mas potencializa, comprova e comunica a eficiência existente, reduzindo assimetrias de informação e fortalecendo a liquidez imobiliária”.Outro ponto relevante é que sustentabilidade não é uma lógica de tudo ou nada. Segundo Felipe, as certificações trabalham com quatro níveis: básico, prata, ouro e platina. E todas exigem pré-requisitos mínimos de eficiência. David reforça: “Sustentabilidade é um espectro. Um edifício não precisa atingir o nível máximo para ser eficiente, confortável e econômico. Soluções intermediárias já entregam grande parte dos benefícios com investimentos mais controlados”.
Para as PMEs, o benefício mais imediato costuma ser o financeiro. “A redução do consumo de energia e água gera custos mensais mais previsíveis e, muitas vezes, menores”, afirma David. Em seguida, vêm os ganhos institucionais, como melhores condições de conforto térmico, visual e acústico, que impactam diretamente a produtividade, o bem-estar e a retenção de talentos. No médio e longo prazo, aparece o ganho estratégico. “Estar em um edifício sustentável prepara a empresa para exigências crescentes de clientes, financiamentos e regulações ambientais”, conclui.
Nesse contexto, a presença crescente de PMEs em edifícios sustentáveis ajuda a democratizar o ESG no mercado imobiliário. Para David, quando o acesso a prédios eficientes deixa de ser exclusivo das grandes corporações, o ESG passa a ser visto como atributo básico de qualidade do ativo: menor custo operacional, melhor conforto e menor risco regulatório.











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