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Mexeu com o dinheiro, achou o sucesso!
Independentemente de discursos, posicionamento ou construção de marca, o que rege a lógica do mercado, no fim do dia, continua sendo o dinheiro. E, nesse sentido, poucas frentes são tão estratégicas quanto as soluções de financiamento tradicionalmente oferecidas por bancos e instituições financeiras que auxiliam empresas a gerir capital, sustentar crescimento e viabilizar aquisições, sejam de equipamentos, imóveis ou projetos inteiros.
Em um cenário de juros mais elevados e crédito seletivo, muitas companhias evitam imobilizar caixa na compra de terrenos, construção de sedes próprias ou aquisição de máquinas. Soma-se a isso o movimento pós-pandemia, que trouxe flexibilização das ocupações e decisões imobiliárias mais estratégicas. Se antes a lógica era comprar terreno e construir, hoje a pergunta mudou: “isso precisa estar no meu balanço?”.
Esse raciocínio impulsiona operações como sale-leaseback, projetos built-to-suit e contratos de longo prazo com maior flexibilidade financeira.
Nesse contexto, as soluções financeiras passam a ocupar papel tão estratégico quanto o próprio projeto físico. Se antes o diferencial competitivo estava no custo da obra ou na localização do terreno, hoje ele também está na estrutura de capital que viabiliza o ativo.
Não se trata apenas de crédito mais caro. O aumento do custo do dinheiro e a seletividade bancária aceleram uma reorganização do funding imobiliário. Parte das operações migra para o mercado de capitais, via CRIs e fundos imobiliários, enquanto outra parte passa por um fenômeno mais silencioso: a desintermediação financeira.
Construtoras e desenvolvedores começam a internalizar funções tradicionalmente bancárias, estruturando modelos próprios de parcelamento, financiamento ou contratos integrados que combinam engenharia e capital em um único instrumento. A lógica é direta: quem domina o risco técnico da obra pode, em tese, precificar melhor o risco financeiro da operação.
É dentro desse movimento que surge o BTR3, modelo desenvolvido pela CH3 Construtora. A proposta combina execução turnkey e parcelamento da obra em um único contrato, estruturado sob lógica de CAPEX ou OPEX.
Segundo a empresa, o cliente recebe a obra concluída e passa a operar o ativo enquanto realiza o pagamento de forma planejada, com taxa inicial a partir de CDI + 1% e prazos que podem chegar a 60 meses. Toda a operação é realizada diretamente com a construtora, sem intermediação bancária.
“O cliente não precisa buscar um banco para estruturar o financiamento. A engenharia e o capital estão no mesmo contrato”, afirma um dos sócios da CH3. “Não é apenas uma linha de crédito, é um modelo de negócio integrado.”
De acordo com a companhia, o BTR3 nasceu da percepção de que muitos clientes tinham capacidade operacional sólida, mas enfrentavam restrições momentâneas de caixa ou limites bancários. “Percebemos que, ao assumir parte da estrutura financeira, conseguimos destravar projetos que estavam parados”, explica o executivo. “Nosso papel deixa de ser apenas construir e passa a ser viabilizar o investimento.”
A empresa destaca que os contratos contam com garantias e análise criteriosa de crédito. “Não se trata de flexibilizar risco de forma indiscriminada. Cada operação passa por modelagem individual, com avaliação jurídica e financeira detalhada”, ressalta.
O BTR3 também pode ser aplicado a estruturas como sale-leaseback. “Reduzimos interfaces. O cliente negocia obra, prazo e fluxo financeiro em uma única mesa. Isso traz previsibilidade e simplificação”, diz a CH3. “Ao centralizar responsabilidades, diminuímos fricções e aceleramos decisões.”
A proposta, no entanto, levanta questões estruturais relevantes.
Ao internalizar o financiamento, a construtora assume risco de crédito, inadimplência e concentração de capital. Diferentemente de um banco, cuja atividade principal é precificar e distribuir risco financeiro, a construtora tradicionalmente precifica risco técnico. A sobreposição dessas funções exige governança robusta, capital disponível e controle jurídico sofisticado.
Há ainda a questão contábil. Mesmo com pagamento diluído no tempo, a depender da modelagem contratual, a obrigação pode ser reconhecida como passivo no balanço do cliente. A “leveza” financeira, portanto, varia conforme a estrutura adotada.
Outro ponto é a escalabilidade. Modelos integrados funcionam bem em tickets específicos e com clientes de perfil sólido, mas sua replicabilidade em larga escala depende de funding próprio ou acesso estruturado a capital de terceiros.
A própria CH3 reconhece o desafio. “Disciplina de crédito é tão importante quanto disciplina de obra”, afirma o sócio. “Não adianta executar bem se a carteira não for saudável. O crescimento precisa ser sustentável.”
Modelos como o BTR3 não surgem no vácuo. São sintoma de um mercado em processo de financeirização crescente. O projeto imobiliário deixou de ser apenas técnico e passou a ser, sobretudo, uma decisão estratégica de alocação de capital.
Se o crédito bancário continuar seletivo e o custo do dinheiro permanecer elevado, estruturas híbridas tendem a ganhar espaço. Caso o ciclo monetário volte a ser expansionista e o financiamento tradicional se torne abundante, parte dessas soluções pode perder tração.











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