Qual seria o impacto da saída das bets no real estate?
- Levantamento exclusivo da SiiLA identifica cerca de 16 mil m² de escritórios ocupados por empresas de apostas, com valor locativo estimado em R$ 22,6 milhões anuais; eventual saída teria efeitos concentrados em regiões específicas

Um seleto grupo de 84 companhias possuem, juntas, uma receita de R$ 20 bilhões ao ano, elas são as empresas de apostas, popularmente conhecidas como “bets”. Agora, após o governo de Lula sinalizar uma possível proibição, tais companhias podem deixar de movimentar cerca de R$ 22,6 milhões anuais dentro do real estate.
Levantamento exclusivo da SiiLA, que cruzou a relação de empresas autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda com dados do Market Analytics, identificou cerca de 16 mil m² de escritórios ocupados por empresas ligadas a bets.
São Paulo concentra a maior parte dessa presença. Na capital paulista, foram identificados 13,2 mil m² ocupados por 15 empresas em 15 edifícios, com valor de mercado estimado em cerca de R$ 20 milhões anuais.
Apesar do volume, uma eventual devolução de todos esses espaços teria efeito limitado sobre a vacância do mercado paulistano como um todo. Em uma proibição de operação total das empresas, a vacância dos escritórios de São Paulo passaria de 15,88% para 16,02%, avanço de apenas 0,14 ponto percentual.
Em uma visão do mercado de São Paulo, o aumento da vacância é mínimo, porém, em ao observar isoladamente cada região, o cenário pode tirar o sono de alguns proprietários.
Na região da Rebouças, uma eventual devolução das áreas ocupadas pelas bets elevaria a vacância regional de 3,99% para 5,83%. O avanço de 1,84 ponto percentual.
O efeito fica ainda mais evidente quando são consideradas simultaneamente a região e a classe dos edifícios. No mercado A+ da Rebouças, os 3,7 mil m² ocupados pelas bets equivalem a um potencial aumento de 4,09 pontos percentuais na vacância, de 4,09% para 8,19%, caso toda a área voltasse ao mercado.
O maior salto percentual, entretanto, aparece nos prédios classe B da Vila Leopoldina. A saída de 864 m² faria a vacância desse recorte passar de 14,36% para 28,90%, uma diferença de 14,54 pontos percentuais.
Fora de São Paulo
A presença das empresas de apostas é menor nos demais mercados monitorados pela SiiLA. Foram identificados outros 2.838 m², com valor de mercado estimado em aproximadamente R$ 2,61 milhões anuais.
Belo Horizonte concentra praticamente dois terços dessa metragem, com 1.775 m². Caso essas áreas fossem integralmente devolvidas, a vacância do mercado da capital mineira passaria de 12,98% para 13,48%. Campinas, Porto Alegre e Rio de Janeiro apresentam impactos menores, enquanto Brasília e Curitiba não tiveram ocupações confirmadas das operadoras mapeadas no levantamento.
O efeito é novamente maior quando o recorte é limitado aos edifícios de alto padrão. Em Belo Horizonte, as empresas identificadas ocupam exclusivamente espaços A+. A devolução dos 1.775 m² elevaria a vacância desse segmento de 1,83% para 3,28%, alta de 1,45 ponto percentual.
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