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O mercado brasileiro vive uma série de contradições: de um lado, o consumo cresce; de outro, empresas deixam o país. Seja por carga tributária, insegurança jurídica ou econômica, falta de demanda ou outros entraves, a saída de companhias, ou a redução de suas operações, tem se tornado cada vez mais frequente.
Em 2025, cinco empresas saíram da B3, embora isso não signifique, necessariamente, o encerramento de suas operações no país. Um caso recente é o da companhia aérea Gol Linhas Aéreas, que está encerrando suas atividades na B3 após um processo de reestruturação e recuperação judicial.
Outro caso é o da montadora Ford, que encerrou suas atividades fabris no Brasil, mantendo apenas a importação de veículos. Durante esse processo, a empresa deixou de ocupar 95 mil m² em condomínios logísticos, desconsiderando suas fábricas.
Dados do Market Analytics da SiiLA mostram que, desde 2021, 81 empresas estrangeiras deixaram de ocupar galpões logísticos ou reduziram suas áreas locadas. Ao todo, 918 mil m² deixaram de ser ocupados por essas companhias.
Um dos casos mais recentes ocorreu em janeiro de 2026, quando a norte-americana FedEx anunciou o encerramento de sua operação doméstica no país para focar no transporte internacional e em segmentos mais rentáveis.
Os condomínios logísticos costumam a ser um dos primeiros termômetros da retração empresarial. Antes de encerrar operações, companhias reduzem estoque, consolidam centros de distribuição ou abandonam mercados regionais, movimentos que aparecem rapidamente nos contratos de ocupação.
O impacto vai além da vacância. A retração dessas operações reduz demanda por armazenagem, transporte e mão de obra, afetando uma cadeia que depende diretamente da presença física das empresas no território nacional.
O chamado “Custo Brasil” é um dos principais fatores que levam empresas a deixarem o país. O custo operacional, somado à ineficiência estrutural, faz com que companhias revisem suas operações físicas no mercado brasileiro.
A burocracia e a carga tributária tornam o ambiente operacional brasileiro mais caro para essas empresas. Em 2025, a carga tributária brasileira representou 32,4% do PIB, cerca de 21% acima da média da América Latina.
Os impostos incidentes sobre os setores de bens de consumo e serviços correspondem a 13,7% do PIB. Para efeito de comparação, o imposto de renda representa 9,1%.
A varejista Forever 21, que encerrou suas operações no país em 2022, alegou que o alto custo operacional — impulsionado por impostos e custos de importação —, somado às dificuldades de adaptação ao mercado brasileiro e ao endividamento, levou à saída da empresa. Como consequência, 5,3 mil m² ficaram vagos.
Essa justificativa também foi dada pela Ford, Walmart (o qual foi comprado pelo grupo Big e posteriormente comprado pelo Carrefour), Mercedez-Benz e Makro. No caso do Carrefour, a empresa francesa precisou aumentar a rentabilidade e reorganizar o portfólio, além da alta taxa de juros que diminuíram o poder de compra dos brasileiros, além disso, a empresa também saiu da B3.







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