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O mercado de fundos imobiliários encerrou 2025 em um ritmo mais forte do que muitos gestores projetavam no início do ano. Após um período marcado por juros elevados e menor apetite ao risco, o setor voltou a ganhar tração, impulsionado pelo crescimento de ativos sob gestão, pela ampliação da base de cotistas e por mudanças estruturais no ambiente tributário. Para 2026, a expectativa é de continuidade desse movimento, ainda que com cautela diante de um segundo semestre mais volátil.
Segundo Marcelo Rainho, sócio-fundador da inVista Real Estate, o ano passado foi especialmente positivo tanto para os fundos quanto para o braço de consultoria imobiliária do grupo.
“Conseguimos crescer de forma relevante nos nossos fundos, no Brasil e no exterior, e também avançamos bastante na consultoria, ajudando famílias a migrarem imóveis de holdings patrimoniais para fundos imobiliários listados”, afirma. Segundo o executivo, apenas nessa frente, o volume de operações superou R$ 1,1 bilhão em 2025.
Na avaliação do gestor, parte desse movimento foi acelerada pelas mudanças no ambiente tributário. A ampliação da taxação sobre lucros e dividendos aumentou a carga fiscal de famílias com grandes portfólios imobiliários, tornando os fundos imobiliários uma alternativa mais eficiente.
“Com a tributação adicional, a carga total se aproxima de 25% ao ano. Isso faz com que muitos proprietários passem a buscar estruturas ainda isentas, como os FIIs”, diz Rainho. O resultado tem sido uma demanda crescente por reorganização patrimonial e por maior eficiência fiscal.
Para 2026, o cenário combina otimismo e prudência. A expectativa é de um primeiro semestre mais dinâmico, seguido por um segundo semestre marcado por incertezas políticas e eleitorais.
“Copa do Mundo e eleição tendem a gerar volatilidade. Por isso, a estratégia é acelerar o que for possível no primeiro semestre”, afirma o gestor. Ainda assim, a leitura é de que o próximo ano pode repetir ou até superar o desempenho de 2025.
Um dos principais vetores positivos no radar é a trajetória da taxa básica de juros. A percepção de mercado é de que há mais forças pressionando para a queda da Selic do que para sua manutenção em patamares elevados. A redução do custo de oportunidade tende a favorecer especialmente os fundos de tijolo, que competem diretamente com a renda fixa.
Entre as tendências estruturais, o gestor destaca o avanço do processo de consolidação da indústria. Grandes casas têm liderado movimentos de fusões e aquisições, resultando em fundos cada vez maiores, com patrimônio de vários bilhões de reais. Embora esse movimento traga ganhos de liquidez e diversificação, ele também levanta questionamentos sobre a sobrevivência de gestores de pequeno e médio porte.
“A gente tem visto, principalmente, grandes casas como o Pátria muito ativas em movimentos de M&A, comprando ativos e plataformas de forma recorrente. Esse processo tem dois lados. Por um lado, é positivo, porque leva a indústria a caminhar para fundos cada vez maiores, com patrimônios na casa de R$ 4 bilhões, R$ 6 bilhões ou até R$ 10 bilhões, o que é muito diferente do perfil que o mercado tinha poucos anos atrás. Isso melhora liquidez, escala e diversificação”, explica.
Rainho também alerta sobre os riscos de movimentos como esse. “Por outro lado, fica a dúvida sobre como gestores de médio e pequeno porte vão conseguir sobreviver nesse ambiente. Na minha visão, uma indústria mais saudável é aquela que tem diversidade de gestores, modelos e estratégias. O que estamos vendo agora é uma consolidação muito rápida, seja pelo impacto da Selic mais alta, que mostrou que gerir recursos não é simples, seja pelos próprios movimentos de fusão e aquisição. O número de gestores vem diminuindo de forma relevante, e esse é, hoje, o principal ponto de atenção e a maior curiosidade sobre como o setor vai se estruturar daqui para frente.”
Apesar dos desafios, a visão para o mercado segue construtiva. A combinação entre a taxação de outros produtos financeiros, como LCIs, e a isenção dos rendimentos dos FIIs mantém o setor atrativo para o investidor pessoa física. Atualmente, o investimento médio por CPF gira entre R$ 10 mil e R$ 20 mil, o que reforça o papel dos fundos imobiliários como uma alternativa de renda recorrente, quase um substituto moderno da poupança.
Rainho conta que a estratégia para 2026 inclui a expansão de produtos offshore, que têm registrado forte demanda entre investidores de alta renda, e o desenvolvimento de novos fundos nos segmentos de lajes corporativas e renda urbana.
“Ainda existe muito imóvel fora do ambiente de fundos imobiliários. Nosso objetivo é trazer parte desses ativos para a bolsa, ampliando o acesso do investidor comum”, afirma Rainho.
O bom momento do mercado de escritórios em São Paulo reforça essa tese. Em 2025, a cidade registrou o melhor desempenho da série histórica, com absorção elevada e reajustes de aluguel acima da média. Para gestores, esse cenário cria uma janela de oportunidade para estruturar novos produtos e aprofundar a integração entre o mercado imobiliário físico e o mercado de capitais.











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