CONTEÚDO EXCLUSIVO
Se inscreva para ficar por dentro das novidades do mercado imobiliário, dos eventos, notícias e análises!

Giancarlo Nicastro: Nossos dados mostram que nos últimos cinco trimestres a Faria Lima demonstrou uma absorção líquida negativa. Como você avalia o desempenho da região?
Ricardo Betancourt: Eu acho que há alguns sinais por trás disso. O primeiro deles é o ambiente macroeconômico que estamos vivendo; a grande verdade é que o momento do Brasil não é o mais inspirador. Nós não esperamos uma grande melhora tão rápida.
Agora, falando da Faria Lima em si, acho que uma das diferenças é que, se você olhar os gráficos de aumento de preço, podemos notar que o resto do mercado não acompanhou a região. Então, possivelmente, estamos no momento em que o gap entre a Faria Lima e as outras regiões do mercado cresceu.
Tem setores e empresas que têm que estar na Faria Lima, é uma questão de imagem. Tem outras que não precisam estar; se você pegar uma empresa de bens de consumo, é ok estar na Faria Lima. Elas aproveitaram algum momento de oportunidade para estar lá. Agora, quando a água começa a subir e o mercado fica mais difícil, você tem que começar a cortar despesas e não precisa estar na Faria Lima. Já vimos várias empresas que não são do core financeiro que tiveram seus momentos na Faria Lima e depois saíram.
GN: A média de mercado é R$ 100/m², mas quando vamos para a Faria Lima, esse valor salta para R$ 300/m². Na sua visão, como o inquilino enxerga isso, até onde vale a pena?
RB: Já vivemos vários casos de inquilinos que, no briefing, diziam ‘preciso estar na Faria Lima’. Então, esse ocupante vai pagar o que a Faria Lima estiver pedindo naquele momento; é uma questão de ‘sim ou sim’, já que se busca o status. Muitas vezes contra-argumentamos com outras opções boas em uma região um pouco mais distante.
Agora, mesmo para as grandes empresas financeiras, manter o backoffice na Faria Lima, pagando R$ 250 ou R$ 300 o metro quadrado, já não faz mais sentido. Quando tudo está crescendo e indo bem, às vezes os excessos passam batido, mas agora estamos entrando numa fase em que qualquer economia é importante; os juros estão altos e há uma série de dificuldades. Então, muitas empresas não podem se dar ao luxo de pagar esses preços, sabendo que, em uma região próxima, o valor é metade.
GN: Ricardo, você vem notando uma demanda descentralizada? Pois, muito se falava que haveria uma região central e vários pontos menores espalhados pela cidade e quais regiões você enxerga demanda hoje?
RB: Bom, acho que a Faria Lima sempre terá a demanda clássica, principalmente, do mercado financeiro e grandes escritórios de advocacia. Mas, agora temos novas regiões que vem recebendo empreendimentos novos e isso é um chamariz natural de empresas, se você for ver o mercado cresceu para a região da Chucri Zaidan, principalmente nas imediações do Rochaverá.
Como um todo São Paulo tem tido poucas entregas, historicamente, se você pegar os últimos dez anos, essa pouca entrega fez com que a vacância fosse baixa e o preço competitivo. Então, entregas pontuais de imóveis mais modernos, de alto padrão, com certificados ambientais e tudo isso, que hoje é muito necessário, são coisas que vão acabar atraindo as novas empresas.
RB: Acredito que a zona leste vai demorar para se estabelecer como uma região mais importante; por enquanto, são apenas algumas locações pontuais. Porém, com a quantidade de pessoas que moram lá, faz sentido que empresas de serviço, como áreas de backoffice, entre outros, funcionem muito bem na região. Só não podem começar a construir dez prédios ao mesmo tempo. Se for uma entrega mais pausada, as empresas podem aproveitar e se beneficiar da quantidade de pessoas que moram na zona leste.
GN: Vamos falar agora um pouco sobre tendências de escritórios. A gente escuta muito as pessoas comentando sobre escritório boutiques e esse assunto ainda é algo nebuloso. Gostaria de saber a sua visão sobre esse assunto.
RB: Eu acho que há dois pontos principais para os escritórios boutiques. O primeiro é uma boa localização, pois não adianta você e ter um escritório boutique em Santo Amaro, por exemplo, nada contra Santo Amaro eu sou de lá, mas é uma região clássica para o mercado escritório.
O segundo ponto é que os boutiques devem possuir um limitador de tamanho, se passar de 6 mil ou 7 mil metros já não é mais boutique, mas é um prédio de escritórios normal. O boutique é desenhado para ter um ou dois ocupantes, é para ser exclusivo. Então, você tem que estar em uma região bem localizada, como a Rebouças, por exemplo, há poucas quadras da Faria Lima. Já existem prédios com esse conceito lá, sua grande maioria ocupado por uma única empresa. Esse é o conceito, são essas características e eu acho que eles têm tudo para dar certo.











Se inscreva para ficar por dentro das novidades do mercado imobiliário, dos eventos, notícias e análises!
