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A crise no varejo pode estar fazendo mais uma vítima: a Pernambucanas. Fundada em 1908, em Recife, a varejista está passando por problemas que podem ganhar novos desdobramentos. Segundo apuração do REsource, a Pernambucanas deve suspender por cerca de dois meses o pagamento dos aluguéis de diversos imóveis.
Para entender o que vem acontecendo, uma recapitulação é necessária. Em julho, a varejista trocou sua cadeia de comando. Marcelo Pimentel, ex-CEO do GPA e das Lojas Marisa, assumiu o comando da empresa; Ernane Abrahão, ex-diretor financeiro do Grupo Avenida, tornou-se CFO; e Carlos Henrique Bandeira de Mello, conhecido como Caíque, passou a presidir o conselho de administração. As mudanças fazem parte da tentativa de colocar a companhia novamente nos trilhos.
Há três pontos de atenção no caso Pernambucanas: (1) a operação de varejo registrou prejuízo líquido de R$ 410 milhões em 2025 e de R$ 206 milhões no primeiro trimestre de 2026; (2) o EBITDA do varejo, após os aluguéis, ficou negativo em R$ 87 milhões no 1T26, enquanto o resultado consolidado equivalente foi negativo em R$ 137 milhões; e (3) o patrimônio líquido consolidado caiu 62% entre dezembro de 2024 e março de 2026, passando de R$ 1,11 bilhão para R$ 421 milhões.
Segundo os últimos relatórios, a despesa com aluguéis foi de R$ 337 milhões em 2025 e de R$ 91 milhões no 1T26, equivalente a aproximadamente R$ 30 milhões mensais.
De acordo com as informações apuradas pelo REsource, a inadimplência da Pernambucanas durará cerca de dois meses. Sendo assim, suspender ou postergar dois meses de aluguel seria uma forma imediata de preservar aproximadamente R$ 60 milhões.
A companhia tinha aproximadamente 472 lojas em março, sendo 24% em shopping centers e 76% em imóveis de rua. Segundo dados do Market Analytics da SiiLA, no segmento logístico, a companhia loca 99,4 mil m² no Prologis Castelo 46 e paga, cerca de, R$ 3,8 milhões, considerando reajustes de aluguéis pelo IPCA.
Em agosto, a Pernambucanas afirmou que está negociando os valores vencidos ou prestes a vencer com fornecedores. Segundo o que foi divulgado, a proposta é pagar 30% do saldo devedor e parcelar os 70% restantes em cinco prestações.
No relatório de auditoria publicado em março de 2026, referente às demonstrações financeiras de 2025, a PwC, auditor independente da Pernambucanas, alertou sobre uma “incerteza relevante relacionada com a continuidade operacional” da empresa. Os auditores chamaram a atenção para pontos como prejuízos recorrentes e capital circulante líquido negativo.
Segundo os documentos, em março, a dívida líquida do varejo da empresa caiu para R$ 112 milhões e representa apenas 0,3 vez o EBITDA. No material gerencial de 2025, a própria empresa apresenta R$ 543 milhões em obrigações financeiras ampliadas: R$ 160 milhões de dívida bancária; R$ 125 milhões em debêntures conversíveis; e R$ 258 milhões em operações fora do indicador principal de dívida, incluindo risco sacado, parcelamento de ICMS e prorrogação de fornecedores.
Além disso, havia R$ 1,44 bilhão em passivos de arrendamento e quase R$ 2,8 bilhões devidos a fornecedores no consolidado, em 2025.
Depois de Casas Bahia e Marabraz, pode estar chegando a vez da Pernambucanas. Em vez de renomear estações de metrô, está na hora da companhia pensar em qual trem irá embarcar.
De todo modo, o trabalho de Marcelo Pimentel e Ernane Abrahão será longo e árduo.
Procurada pela reportagem, a Pernambucanas nega qualquer postergação de aluguéis.
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