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Protecionismo Norte-Americano deixa o mercado logístico da América Latina sob pressão

  • Setores estratégicos enfrentam incertezas, adiam investimentos e desocupam galpões diante de um novo ciclo de protecionismo. Efeitos vão além do comércio: pressionam empregos, cadeias logísticas e decisões imobiliárias

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos da América
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos da América
Por: SiiLA News
21/05/2025

As tarifas dos Estados Unidos não estão apenas ameaçando o comércio. Elas estão distorcendo preços, congelando investimentos e pressionando países como México, Brasil e Colômbia — cujos setores vitais voltados à exportação dependem do mercado norte-americano. E quando esses setores desaceleram, o impacto vai além das exportações: afeta a demanda por espaço, insumos, logística e empregos.

Atualmente, cada país enfrenta regimes tarifários diferentes: o México está sujeito a uma tarifa de 25% sobre aço e alumínio, além de tarifas semelhantes sobre produtos não certificados pelo USMCA (acordo de livre comércio entre Estados Unidos, México e Canadá). Já Brasil e Colômbia enfrentam uma tarifa base de 10% sobre a maioria das exportações e 25% sobre aço e alumínio.

Os efeitos já são tangíveis e seguem um padrão: começam nos setores mais expostos, atingem o espaço físico e acabam redesenhando o mapa produtivo.

No México, por exemplo, o setor automotivo registrou absorção líquida negativa em Aguascalientes, Cidade do México, Monterrey e Reynosa no primeiro trimestre de 2025: quase 260 mil metros quadrados de espaço industrial desocupados — um dos piores começos de ano desde 2021, segundo a SiiLA.

No Brasil, a siderúrgica ArcelorMittal adiou um investimento de R$ 4 bilhões (cerca de US$ 800 milhões) na planta de Tubarão, citando a tarifa de 25% sobre o aço como fator determinante. E na Colômbia, a empresa de alimentos Alpina anunciou uma pausa comercial de 90 dias devido ao risco de repassar a tarifa de 10% aos consumidores norte-americanos.

Apesar desses primeiros sinais de ajuste, o comércio bilateral ainda não refletiu o impacto de forma agregada. Em termos reais, as importações dos EUA vindas de México, Brasil e Colômbia cresceram 8%, 8% e 9%, respectivamente, entre o 1º trimestre de 2024 e o de 2025. Ou seja, embora o objetivo das tarifas seja conter os fluxos comerciais, ainda não foram bem-sucedidas.

No caso da política comercial, os efeitos raramente são imediatos: o verdadeiro impacto fermenta em decisões de investimento, nos custos logísticos ou na hesitação de um fornecedor que decide não expandir.

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