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O Banco Central foi na contramão do mercado internacional: enquanto o Federal Reserve aumentou sua taxa de juros pela primeira vez em três anos nos Estados Unidos, a Selic cai pela quinta vez consecutiva, chegando a 13,75%, e pode ditar a viabilidade do estoque futuro em projeto.
No mercado imobiliário, o impacto no financiamento de obras e custos de operação não é imediato, mas representa competitividade de investimento a longo prazo. André Caruso, CEO da Pilar Capital, destaca que a redução da Selic primeiro aparece no custo das novas captações e nas operações estruturadas, antes de chegar, de maneira mais ampla, ao financiamento das empresas e à capacidade de compra dos consumidores.
“Uma curva de juros menor reduz o custo de carregar uma obra, melhora a avaliação de novos empreendimentos e pode tornar operações de crédito estruturado mais eficientes. Ainda assim, seleção e análise continuam fundamentais. Uma Selic menor não transforma automaticamente um projeto ruim em um projeto viável”.
Para Alex Sales, fundador da Alumbra Empreendimentos Design, existe uma ordem de favorecimento de setores: a logística tende a apresentar resposta rápida para regiões de demanda consolidada e contratos de longo prazo.
Dessa forma, as lajes corporativas e os shoppings tendem a se recuperar posteriormente, uma vez que dependem de mais fatores, como ocupação, consumo, renda dos locatários e confiança empresarial, além das próprias condições financeiras. “Existe ainda uma defasagem importante: a melhora financeira pode aparecer primeiro nas decisões de investimento e nos lançamentos, enquanto o aumento efetivo da oferta de imóveis só será percebido alguns anos depois, dado o prazo de desenvolvimento e construção dos projetos”, explicou.
E as previsões são positivas. O Bank of America anunciou em seu último relatório, de setembro de 2026, uma constante de desaceleração para a Selic no fim desse ano. Segundo a instituição, as quedas da taxa básica de juros devem chegar a 13,25% até dezembro, já mirando 11,25% até 2028. Nesse panorama, a expectativa seria de cortes de 0,25 pontos percentuais até dezembro de 2027, garantindo declínio sucessivo.
André Caruso destaca que a curva da queda é o ponto mais importante da equação no mercado imobiliário, somado ao contexto internacional, com a taxa do Fed subindo de 3,75% para 4% e indicando a possibilidade de novas altas. “Esse movimento, combinado ao petróleo elevado e à volatilidade cambial, pode manter as taxas longas pressionadas no Brasil mesmo enquanto a Selic cai. Para o imobiliário, isso é especialmente importante porque muitas operações dependem mais da curva de juros de médio e longo prazo do que da taxa básica de uma única reunião. O efeito mais relevante, portanto, será a consolidação de uma trajetória de queda, e não apenas os 0,25 pontos percentuais desta decisão”.
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