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O termo retail media se tornou uma das principais apostas do varejo para destravar novas receitas e transformar audiência em monetização. Embora a discussão costume girar em torno do digital, marketplaces, e-commerce e anúncios em aplicativos, o movimento também avança com força no ponto físico, onde o conceito, na prática, já existe há anos.
A diferença, agora, é menos conceitual e mais operacional: o que antes era vendido como mídia mall, merchandising e ativação de marca, passa a ser tratado como uma vertical de performance, com governança, padronização e métricas.
“O retail media já acontece a todo momento”, afirma Paulo Conegero, especialista em varejo e retail media. “A partir do momento que a gente fala de jornada do cliente, ele é impactado por vários contatos: Instagram, TikTok, celular e por que não dentro de uma loja?”.
Segundo ele, o inventário sempre esteve disponível e valorizado do panfleto entregue na entrada às áreas nobres do mall, passando por banners, quiosques e formatos que fazem parte do dia a dia do consumidor.
Se o shopping sempre vendeu mídia, o que explica a explosão do termo retail media? Para Conegero, o ponto central é a capacidade de mensurar e qualificar.
“Agora você também tem a chance de metrificar. Então o hype do momento é a metrificação e não em si a ciência de retail media”.
Na prática, isso significa transformar o ponto físico em um canal com lógica parecida à do digital: inventário, audiência, segmentação e conversão.
Hoje, segundo ele, já é possível computar: fluxo com contadores dentro de loja, ticket médio, qualificação de quem entra, dados de campanhas promocionais e cruzamento com notas fiscais e consumo.
A discussão sobre dados inevitavelmente passa pela LGPD, mas Conegero avalia que o obstáculo, na maioria dos casos, não é legal, e sim operacional.
“Os shoppings não têm limitações. Hoje você, por exemplo, com uma campanha de final de ano, de meio de ano, um compre e ganhe, você consegue pegar todos os dados do cliente e você consegue cruzar sim esses dados com as notas fiscais das lojas”.
Na avaliação dele, o setor ainda explora pouco o potencial do que já está disponível.
Se o shopping já faz retail media, onde está a transformação real? Para Conegero, o ponto mais relevante dos próximos anos não é o shopping virar retail media, porque ele já é, e sim as lojas se estruturarem como plataformas de mídia dentro do próprio espaço físico.
“Normalmente, quando a gente fala de grandes operações, a gente está levando um fluxo muito grande de clientes: 10, 15, 20, 30 mil clientes por dia”.
Esse volume transforma a loja em um ativo de audiência comparável a canais digitais. E, com isso, abre espaço para monetização via anúncios e parcerias, inclusive com marcas que nem necessariamente vendem ali.
Um exemplo dessa transformação é a Galeria Magalu, no Conjunto Nacional, em São Paulo. De acordo com ele, a operação é um retrato do retail media físico no formato mais atual: um espaço com fluxo, experiência e inventário, onde anúncios e ativações podem ser vendidos a parceiros e sellers. “É uma loja que você tem hoje anúncios de todos os parceiros que vendem ali na loja ou não”.
Conegero afirma que participou do projeto e menciona que o payback da loja é estimado em cerca de um ano e meio, um indicador que reforça o potencial do modelo quando há governança e estratégia.
Com a disputa por atenção cada vez mais pulverizada, Conegero argumenta que shoppings não podem depender apenas do aluguel e do fluxo orgânico. Para ele, o shopping precisa se consolidar como um canal completo de conveniência e mídia.
Na visão do especialista, isso não significa que shoppings estejam ameaçados por varejistas ou plataformas digitais, mas sim que a competitividade dependerá de maturidade em dados, métricas e oferta comercial. “Se o shopping não for uma plataforma de mídia, ele não consegue atrair um público”.











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