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Grandes escândalos geram cicatrizes em diversos setores. A Odebrecht causou profundas marcas no governo, as Lojas Americanas mancharam o varejo e, agora, o Banco Master deixou um capítulo negativo na história do mercado financeiro. Porém, as marcas vão além dos setores atribuídos às empresas e alcançam a percepção visual da população.
Constantes protestos marcaram a entrada do Auri Plaza Faria Lima, prédio que hoje é popularmente reconhecido como Prédio do Master, ou sede do Banco Master. Hoje, ao trafegar pela Rua Fiandeiras, vê-se o imponente edifício com tapumes e um espaço vago onde antes estaria o logo da empresa.
Segundo a equipe de inteligência de mercado da SiiLA, a presença do Banco Master no empreendimento está com os dias contados: a saída da companhia está prevista para abril.
Felipe Laragnoit Leite, sócio fundador da Primaz&Co, diz que, apesar da repercussão negativa que o empreendimento enfrenta atualmente, isso não deve se estender por muito tempo.
“Não vejo que o inquilino possa gerar problemas nesse sentido. Os problemas práticos ficam com o proprietário, como é o caso do contrato e da mobília; são questões operacionais. A imagem pode até ser afetada, mas é algo de curtíssimo prazo. Como inquilino, não afeta. Mas, se o Master fosse o proprietário, aí sim as coisas mudariam”, explica.
Atualmente, a instituição financeira paga cerca de R$ 3,9 milhões mensais para ocupar os 17,9 mil m². Pelo tamanho do empreendimento e pelo fato de ser um imóvel monousuário, o prédio era uma mina de ouro para os proprietários, porém com alta exposição.
Leite afirma que seguir a estratégia de monousuário pode não ser a melhor opção no momento. É um risco, mas, caso consigam fechar negócio, pode ser algo positivo para os proprietários.
“Quando falamos de 4 mil m² é uma coisa, mas grandes empreendimentos, como o Auri Plaza, são um pouco mais arriscados. Em situações como essa, o proprietário arca com os custos do ativo parado. Se o imóvel for locado em até um ano, está ótimo, mas, caso demore mais tempo para ser ocupado, talvez a melhor opção seja o formato de múltiplos inquilinos”, comenta.
Dentro desse mesmo universo de empreendimentos que ficaram vazios por causa de polêmicas, o Bothanic Faria Lima Corporate é um ativo monousuário que era locado pela Reag. Diferentemente do Auri Plaza, o empreendimento é um edifício boutique, com apenas 5 mil m².
O ativo ficou vago após polêmicas relacionadas à Operação Carbono Neutro, que visava desmantelar um esquema de lavagem de dinheiro. A instituição financeira foi liquidada, deixando o imóvel 100% vago com menos de dois anos de ocupação. Porém, fontes de mercado afirmam que o ativo já está em tratativas para receber um novo inquilino.
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