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Segundo o último Boletim Mensal de Fundos Imobiliários da B3, os FIIs acumulam um patrimônio líquido de R$ 248 bilhões e um valor de mercado de R$ 169 bilhões. O número de fundos continua crescendo. Em 2022 eram 805, no final de 2023 eles eram 927, até março desse ano eles somam 955 FIIs.
Para o nascimento desses fundos são necessárias duas partes essenciais, os gestores e os ativos que vão compor. A partir disso, Thiago Leomil, sócio fundador da inVista Real Estate, conta como funciona toda a estratégia e criação de um fundo de investimento imobiliário.
Leomil possui uma vasta experiência no setor, ajudou a fundar a Vista Real Estate, sua primeira gestora em 2013, que posteriormente virou XPVista, onde o executivo foi responsável pela estruturação de diversos fundos conhecidos, além da longa passagem pela área de Real Estate da Julius Baer Family Office Agora, Leomil está na empreitada do desenvolvimento do inVista Brazilian Bussiness Park FII, um fundo prioritariamente industrial dedicado aos empreendimentos da Brazilian Bussiness Park (BBP).
“Agora nós estamos finalizando uma oferta que já integralizou mais de R$ 300 milhões e deve superar os 400 em sua última liquidação. Mas sei que é um momento de bastante desafio do mercado, onde poucas casas estão conseguindo captar dinheiro. Então, o nosso Fundo é focado única e exclusivamente no empreendimento do Brazilian Business Park, um dos principais Business Parks industriais do País, que fica predominantemente na região de Atibaia e Jarinu”, explica Leomil.
A estratégia para esse fundo é que serão duas classes de cotas, uma sênior e outra ordinária, destinadas para dois públicos diferentes. Sendo a cota sênior, voltada para gestoras, e as cotas ordinárias, destinada ao multi family offices, pessoas físicas, single family offices e alguns fundos de pensão.
Leomil explica que antes de chegar na tese é necessário realizar diversas etapas, que, basicamente, se baseiam em estudos. O executivo afirma que é necessário avaliar público, rentabilidade, atratividade, modelos de governança, parceiros e desenvolveres e outros aspectos.
“Como é que a gente faz para montar um fundo? Primeiro, a gente idealiza uma tese e ela passa por vários fundamentos, desde modelo de governança, atratividade e rentabilidade. É indispensável analisar se há público interessado e alinhar interesses com o desenvolvedor. São vários aspectos que vão contribuindo até criarmos a viabilidade”, conta.
O executivo ressalta que todos os fundamentos não são pensados apenas para quem vai investir, mas, principalmente, para quem vai distribuir.
“E como formatamos uma viabilidade financeira? Sempre considerando cenários de estresse, ´as chuvas e trovoadas´. Nossos fundos devem estar preparados para situações em que a macroeconomia afeta o mercado”, explica.
Leomil utiliza o termo “chuvas e trovoadas” para se referir a momentos em que o mercado de FIIs está em uma situação não favorável. Desde 2021 o mercado de Fundos vem recebendo uma redução no número de ofertas. Em 2022 foram R$ 20 bilhões e 67 registros, já em 2023 foram apenas R$ 12 bilhões e 35 registros. Até o último relatório da B3 foram feitos 6 registros e apenas R$ 2 bilhões de volume de ofertas.
Apesar disso, o sócio fundador da inVista acredita em seu produto, a tese de Leomil se baseia em uma estratégia mais protetiva. Dados do Market Analytics mostram que os empreendimentos do BBP em Atibaia possuem uma taxa de ocupação de 92,7%.
De fato, o mercado de FIIs vem apresentando problemas, porém são mais concentrados no segmento de escritórios. O mercado de condomínios logísticos segue em expansão, com a entrega de novos empreendimentos e uma redução da taxa de vacância.
“Acho que os FIIs são uma indústria bem protegida de forma geral, todos são lastreados em ativos reais. Então, você tem a proteção do seu capital através dos ativos. E o risco que a gente corre é o risco de vacância, inadimplência e de valor de aluguel; todos que estão mitigados por inquilinos de 'primeira' com um bom core bussines. Por isso que a gente foi para uma tese de investimento mais protetiva em nosso fundo. Quando você fala de industrial, o nível de vacância é muito menor, porque uma indústria possui um alto valor agregado. Sendo assim, na DRE da indústria o valor de aluguel é muito pequeno, muitas vezes menor do que 1%. Já no setor logístico é um pouco diferente, o aluguel pesa bastante”, explica.







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