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Na avenida Paulista, próximo ao Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), Bruno Ackermann, sócio da Cy.Capital, recebeu o REsouce em uma pequena cafeteria. Entre um café e uma água, o executivo contou todas as etapas de sua trajetória profissional até o momento atual.
Filho de engenheiro, Ackermann acredita que o trabalho bem feito é o que garante os frutos da carreira — o que ele define como uma relação de “causa e efeito”. Sua história é, para ele, a prova viva desse princípio.
“Eu me formei em Engenharia Civil na FEI, em São Bernardo. Meu primeiro estágio foi na Gafisa, incorporadora, totalmente focado em obra, sem ligação com o mercado imobiliário em si. Acabei não sendo efetivado e, como minha experiência era mais voltada para obra, fui trabalhar em uma construtora que fazia galpões. Ainda assim, era obra, nada a ver com negócios”, relembra.
Recém-formado, Ackermann ainda não sabia o que o destino lhe reservava. Enquanto ansiava por projetos e construções, o futuro do jovem engenheiro não estaria nos canteiros de obra, mas nos escritórios — e tudo começou na Cyrela.
“Nessa época, em 2006, vi uma propaganda do programa de trainee da Cyrela. Sempre admirei muito a empresa e decidi me inscrever, mesmo sem expectativa. O processo foi longo: eram cerca de 23 mil candidatos para pouco mais de 20 vagas. Fui avançando nas fases, cheguei quase à final e tinha que escolher a área. Pelo meu background, escolhi engenharia/obra. Mas no fim, a vaga já estava preenchida. Porém, gostaram de mim e a empresa me chamou para outra área chamada Lajes Corporativas. Eu não fazia ideia do que era, mas aceitei”, lembra.
As “Lajes Corporativas” citadas por Ackermann eram todos os negócios não residenciais da Cyrela: escritórios, shopping centers e projetos comerciais em geral.
“Foi uma mudança importante para mim. Eu gostava de estar em obras e, de repente, fui para o lado corporativo e de negócios. Hoje agradeço muito, porque foi uma verdadeira escola. Naquele momento, eu queria estar em obra, mas a virada foi fundamental para minha carreira”, conta.
Nesse período, Ackermann acompanhou o surgimento dos fundos imobiliários (FII), a joint venture com a Prologis e o spin-off da CCP.
“Na Cyrela, fui passando por várias áreas. Comecei como trainee, depois virei analista e fui evoluindo. Nosso time, que era pequeno, talvez 10 a 15 pessoas, tocava operações muito grandes. Um marco foi a joint venture com a AMB/Prologis, uma empresa americana de galpões que queria entrar no Brasil. Na época, o mercado brasileiro ainda era pouco profissionalizado, com muitas empresas familiares construindo galpões de forma caseira. Com a Prologis, trouxemos know-how internacional e adaptamos à cultura brasileira”, relembra.
“Fui designado como o primeiro funcionário alocado 100% em galpões dentro da Cyrela. Até então, a área cuidava de escritórios, shoppings e também galpões, mas eu fiquei dedicado só a isso. Foi uma época de aprendizado enorme. O pessoal da Prologis dos EUA vinha nos ensinar, porque lá já era um business gigantesco. Aqui, ainda era novidade. A gente precisou adaptar muito — como funcionava locação, contrato, operação. Era um mercado que começava a se estruturar no Brasil”, diz.
A dedicação de Ackermann não passou despercebida. Naquele momento, Nessim Sarfati estava fundando a Barzel e o convidou para ser sócio.
“Quando saí da Cyrela em 2015, fui montar a Barzel junto com o Nessim. Era uma gestora nova, com capital de um investidor forte por trás, mas o desafio era começar tudo do zero: abrir escritório, organizar conta bancária, estruturar processos, contratar equipe. Passamos cerca de três anos construindo isso, de 2015 até meados de 2018. O foco principal acabou sendo escritórios corporativos, mas senti que minha experiência com galpões logísticos não estava sendo totalmente aproveitada”, explica.
Em 2018, Ackermann passou pela Brookfield, devido ao seu conhecimento no mercado logístico e às parcerias anteriores com a Prologis. Mas a maior virada de chave veio em 2019.
“Sempre mantive contato com a turma da Cyrela, especialmente com o Rafael. Em 2019, ele comentou que a Cyrela queria voltar a investir em ativos comerciais — galpões, escritórios, varejo. Mas a ideia era não investir direto no balanço, e sim por meio de uma gestora de recursos, captando também capital de terceiros. Ele me convidou para liderar a vertical de galpões. Foram quase dois anos estruturando a ideia, até que em janeiro de 2021 conseguimos formalizar a Cy Capital”, lembra.
“Meu objetivo agora é consolidar a Cy Capital como gestora e me consolidar como sócio. Quero formar um time capaz de tocar a operação de galpões de forma independente, para que eu possa abrir novas frentes de negócio e buscar novas oportunidades”, conclui.
“Sou casado há 10 anos. Tenho dois filhos e, nas horas vagas, sou pai em tempo integral. Gosto muito de esportes: pratiquei boxe por anos, mas hoje estou dedicado ao tênis, que é meu hobby principal. Também sempre tive paixão por modelismo e LEGO. Desde criança, monto modelos de carros, aviões e coleciono. É um hobby que mantenho até hoje.”
Entre saques e arremessos, montagem de LEGOs e miniaturas, Ackermann também gosta de ler. Lê, em média, um livro por mês. Recentemente, terminou a obra de Ariane Abdallah, De Volta ao Jogo: A história de sucesso, dramas e viradas do BTG Pactual. Além disso, planeja escrever um livro nos moldes de Êxodos, de Sebastião Salgado: uma narrativa visual que misture a história dos galpões logísticos com fotografias.
Assim como muitos brasileiros, Ackermann também sonha em, em algum momento, desacelerar. “Quero curtir mais a família, estudar mais e equilibrar melhor vida pessoal e profissional. Não penso em parar, mas quero chegar a um ponto de ter mais tempo para outras coisas.”
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