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O TRF6 (Tribunal Federal da 6ª Região) foi responsável por uma das maiores locações do ano em Belo Horizonte. Mais do que a área ocupada, a atenção se volta para o que sobrou de estoque premium, em uma região que historicamente não oferece muitas opções para esse modelo de ocupação.
Com mais de 25 mil m² de área BOMA, o Edifício Beyond é uma das principais entregas de BH, representando cerca de 9% do estoque premium total na cidade. Inicialmente esperado para o último trimestre desse ano, após as adequações exigidas no contrato de pré-locação, pode ser entregue somente entre o segundo e terceiro trimestre de 2027.
Em um recorte regional, Funcionários, a área escolhida pelo tribunal, é a com maior vacância, de acordo com os dados do Market Analytics da SiiLA, com 20,74%, ao mesmo tempo que tem o maior valor de mercado (R$ 84,92).
A locação foge do padrão do mercado mineiro, uma vez que a área é cerca de 50% maior que toda a absorção bruta premium da cidade no segundo trimestre desse ano. Ela também se difere pelo volume em um único ativo, já que as principais locações do ano, até o momento, variavam entre 500 m² e 900 m².
Das últimas dez locações na cidade, a do TRF representa 82% da área total movimentada, com o valor por m² dentro da média de aproximadamente R$89,88/m².
O tamanho das áreas locadas é um reflexo direto da disponibilidade do estoque. Os escritórios de Belo Horizonte avançam com espaço apertado, mesmo com a pressão da demanda alta. Em uma análise comparativa da relação anual da absorção líquida e do novo estoque, é possível verificar um déficit que justifica a baixa vacância histórica.
Com ABL total de 219 mil m², prédios A e A+ da capital mineira tem apenas 5,45% de vacância, que é historicamente baixa, já tendo alcançado 3,38% em 2024. Além do Edifício Beyond, são esperados cerca de 9 mil m² para serem entregues em Belvedere até o fim do ano.
Por se tratar de uma ocupação que exige obras de adequação para comportar a operação do TRF6, o contrato foi fechado no modelo built-to-suit. As estruturas adaptadas incluem layout, mobiliário, equipamentos e sistemas prediais, com estimativa inicial de cerca de R$ 60,22 milhões em obras. Será pago pela instituição R$ 906,3 mil por mês em amortização dessas obras.
No Estudo Técnico Preliminar que justificou a locação, foi apontada uma inadequação atual de espaço, com a as instalações da Seção Judiciária de Minas Gerais, de cerca de 25,8 mil m² sendo divididos entre as duas instituições. O documento defende que cada instituição necessitaria de ao menos 20 mil m² para abrigar as equipes.
Ainda de acordo com o parecer, foram avaliados imóveis públicos e a possibilidade de construção de uma sede própria antes de fechar a locação, mas o período para implementar qualquer uma dessas opções seria mais longo que a necessidade imediata da instituição.
O aluguel é de R$ 2,243 milhões por mês, pelo período de 15 anos, incluindo o valor relacionado as obras de adequação, o total mensal pago pelo tribunal será de R$ 3,15 milhões. Até o fim do período, é previsto o pagamento de cerca de R$ 567 milhões, sem contar os reajustes por IPCA também previstos no contrato.
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