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É impossível contar a história de Marino Mario sem antes falar de sua infância. No interior de Santa Catarina, Mario foi criado por sua mãe e avó e, aos 8 anos, começou a ajudar sua família na horta.
“Quando eu fiz 8 anos, minha mãe falou assim: ‘Está vendo aquela enxada ali? Vê se você consegue levantar.’ Eu falei que conseguia e começou assim. Por que eu conto isso? Porque filhos que nascem em ambiente agrícola começam a trabalhar muito cedo, e você começa ajudando os pais na roça. Não é nenhum trabalho escravo, mas é trabalho, você tem responsabilidades. É um pouco diferente hoje na vida urbana. Essas crianças vão para a escola, ficam o tempo integral. Não aconteceu isso comigo”, conta.
Mario relata que foi para a cidade estudar, saindo da escola rural e indo para uma instituição maior. Aos 14 anos, conseguiu seu primeiro emprego formal: trabalhava como garçom em uma lanchonete e, ao mesmo tempo, também trabalhava como chapeiro em um trailer de hambúrgueres e como garçom em bailes durante os fins de semana. Todos esses empregos abriram portas.
“Fui conhecendo mais pessoas lá e consegui um emprego, o primeiro emprego em escritório. Era uma imobiliária na cidade, que tinha um despachante e uma escola de datilografia no mesmo ambiente. Foi o meu primeiro contato com a área imobiliária, aos 16 anos. Foi aí que começou a minha história”, relembra.
Mario conviveu durante a infância com sua mãe e avós. Aos 15 anos, conheceu seu pai e, aos 19, recebeu um convite dele para ir para Caraguatatuba, litoral de São Paulo, trabalhar com ele.
“Ele era dono de duas imobiliárias: uma em Caraguá e outra na praia da Maranduba. Eu fui trabalhar com ele, obviamente era tudo diferente em relação ao que eu já tinha aprendido. Tive que reaprender tudo. Em uma imobiliária de litoral, você trabalha com imóveis de temporada e poucos residenciais fixos, mas é diferente da minha experiência anterior. Então, foi um aprendizado”, conta.
Após a morte de seu pai, seus meio-irmãos herdaram as imobiliárias e Mario foi para a capital; por não possuir o sobrenome do pai, ele não herdou os negócios.
“Quando eu vim pra São Paulo, não fui trabalhar mais em imobiliária. Eu tinha que arrumar o primeiro emprego que aparecesse. Então meu tio, que morava aqui, irmão do meu pai, arrumou um emprego para mim de vendedor nas Pernambucanas”, relembra.
Depois de dois anos trabalhando como vendedor, morando com um amigo e fazendo faculdade de administração de empresas, Mario conseguiu seu primeiro estágio em uma empresa de elevadores e escadas rolantes. Ele atuava no setor de compra e venda de itens.
Após esse período, passou a trabalhar em uma empresa de rolamentos. “Entrei na área de planejamento, passei para a área de almoxarifado e depois suprimentos. Eu era responsável por comprar uns dois mil itens, mais ou menos. Fiquei quatro anos na empresa e, quando saí de lá, já tinha bastante experiência também na indústria metalúrgica. Aí fui convidado para trabalhar numa empresa química e farmacêutica.”
Aos 29 anos, recebeu um convite para trabalhar em uma imobiliária e começou a atuar como corretor.
Na época, Mario guardava seu dinheiro e, quando recebeu uma comissão após um bom negócio, fez uma proposta ao dono da imobiliária.
"Eu disse: ‘Olha, você fica com todo o meu dinheiro, eu quero 50% da empresa.’ Ele, como bom mineiro, falou: ‘Mas eu já tenho isso. Por que eu vou dar metade da minha empresa para você?’ E eu respondi: ‘Porque eu sou bom. Eu sei do meu talento, da minha capacidade. Você vai ganhar mais dinheiro comigo como sócio.’ Mas ele não quis. No outro dia, eu saí. Falei: ‘Bom, já que você não quer, eu tô indo embora.’ Fiz essa proposta por uma questão de lealdade: ele me deu uma oportunidade, então também quis dar uma. No dia seguinte, não fui trabalhar e montei a Retha”, conta.
Diferente da imobiliária onde trabalhava, a Retha atuava apenas com galpões. Mario fazia anúncios em jornais com os imóveis. Ele afirma que sua experiência na indústria o fez enxergar uma oportunidade nesse setor.
“Na época não tinha logística como hoje. Quem produzia, entregava. Era tudo junto: produzia e armazenava no mesmo lugar. Esse movimento de separar é recente, dos últimos 20 anos. Porque não tinha internet, não se comprava pela internet, se comprava na loja. Então era diferente, e a Retha passou por toda essa evolução, toda essa transformação da indústria”, explica.
No caso da administração de condomínios, a Retha começou a partir da necessidade de um cliente — uma questão de oportunidade.
“Foi consequência. Foi um retrofit de um galpão grande lá em Santo Amaro, de uma indústria. De repente, a gente começou a sublocar e eu falei para o dono: ‘Olha, vamos colocar uma portaria aqui, vamos dividir energia e água para todo mundo e vamos fazer um condomínio.’ Ele acreditou na ideia e nós fizemos assim. A gente fez tudo na raça”, explica.
Marino Mario conta que, mesmo vindo para São Paulo jovem, não conhece a vida noturna da cidade e sempre foi focado no conhecimento pessoal.
A determinação que marcou sua trajetória também moldou sua visão de mundo. Mario costuma dizer que sempre confiou no próprio potencial — não por arrogância, mas por reconhecer cedo o que sabia fazer bem. “Meu dom natural sempre esteve ali”, comenta.
O que fez ao longo dos anos foi lapidar esse talento, com disciplina e organização, até que, aos 30 anos, entendesse que era hora de empreender.
Para ele, a juventude é um grande período de preparo. Os empregos variados, a rotina corrida e o contato com diferentes pessoas foram, segundo Mário, a verdadeira escola.
“Até os 30, você aprende. Depois, aplica”, afirma. Trabalhando em ritmo acelerado e com a energia típica da idade, o executivo absorvia tudo o que podia — da sala de aula ao salão de restaurante, do escritório improvisado à lida agrícola da infância. Nada, para Mario, foi desperdício; cada experiência era uma chance de treinar o olhar, de desenvolver o que mais tarde chamaria de “couro duro”.
Foi dessa bagagem que nasceu sua postura comercial. No trato com clientes, aprendeu que não basta saber vender: é preciso entender como cada pessoa quer ser atendida. O mesmo vale para o produto. Mario repete que conhecer profundamente o que se oferece não é um diferencial, é uma obrigação. Para ele, o sucesso não é algo que se busca diretamente — é consequência do aprendizado acumulado e do compromisso inegociável com a excelência.











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