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Na última quarta-feira (26), o Fundo de Investimento Imobiliário (FII) Santander Renda de Aluguéis (SARE11) divulgou, por meio de um fato relevante, que a WeWork está inadimplente no WTorre Morumbi. A empresa de coworking ocupa quatro andares da torre B.
No documento, a administradora e gestora informaram que, caso a inadimplência continue, o fundo sofrerá um impacto negativo na distribuição dos rendimentos em R$ 0,05 por cota.
Conforme apurado pela equipe do REsource, em abril de 2024, a WeWork realizou uma negociação contratual com o fundo. O contrato foi estendido em 36 meses, sob as condições de desconto no aluguel por 12 meses, com efeito retroativo de fevereiro de 2024 a janeiro de 2025 – uma movimentação que poderia indicar dificuldades financeiras, segundo especialistas consultados.
Apesar de o fundo não revelar os valores de aluguel que o inquilino pagava, estima-se que as cifras estejam na casa dos R$ 80 e R$ 90/m² – valores referentes ao período anterior ao desconto retroativo de abril.
Até o fechamento dessa reportagem, a WeWork não comentou sobre o assunto.
A sorte não está a favor da empresa de coworking. Ainda sofrendo com o desgaste da pandemia, a WeWork vem passando por uma crise global. Em uma reportagem anterior do REsource, a companhia afirmou que o Brasil não seria afetado – porém os sinais dizem o contrário.
Recentemente, a companhia perdeu espaço para a rival Spaces, comandada pelo grupo britânico IWG. A unidade conhecida por Alto da Lapa agora está sendo comandada pela empresa de Tiago Alves, CEO da Regus/Spaces.
“Foi uma implementação rápida, em menos de 30 dias nós assumimos. Uma vez que a WeWork estava saindo da unidade, o proprietário nos escolheu como novos operadores, exatamente para profissionalizar o espaço e fazer com que as demandas dos clientes sejam cumpridas com suas necessidades”, afirma Alves.
Além disso, a norte-americana recebeu outro baque, também da IWG e da Justiça brasileira. Em março de 2023, a companhia foi processada por concorrência desleal, após vincular anúncios no Google para que, ao pesquisar o nome Regus, a empresa aparecesse em primeiro lugar.
A WeWork tentou recorrer, mas a 1ª Câmara Reservada de Direito Empresarial do Tribunal de Justiça de São Paulo negou e deu causa à concorrente – a decisão aconteceu em maio deste ano.
“O processo já transitou em julgado e criou uma jurisprudência sobre o tema. Inclusive, se pesquisar, você verá que outras empresas estão usando essa jurisprudência em outros casos também. Eu acredito que isso só mostra que o Brasil e a internet não são terras sem lei; tem que ser preservado o bom convívio entre competidores. Então, a justiça nesse caso foi feita, provando mais uma vez que o mercado brasileiro é um mercado que tem, sim, regras”, conta o executivo da Regus e Spaces.
Nas terras do Tio Sam, a WeWork apelou à justiça norte-americana para um processo de recuperação judicial, que foi aceito, dando à companhia um fôlego extra. Para sair da falência, a companhia negociou com seu principal credor, SoftBank Group Corp., com o qual fecharam um acordo de reestruturação – negociação que deixou o cofundador Adam Neumann de fora.
Do outro lado do mundo, na Índia, a WeWork está deixando o país asiático e vendendo sua porcentagem para a empresa indiana Real Trustee Advisory Company. Segundo a mídia do país, a saída da companhia não afetará o mercado de coworking da região.
Após a recuperação da falência, o CEO David Tolley deixou seu cargo, e agora a companhia é comandada por John Santora. Em abril, a empresa rejeitou a oferta de US$ 650 milhões do cofundador.
Segundo a Reuters, antes da falência a empresa valia US$ 47 bilhões (2019); ela era considerada a startup mais valiosa dos EUA. Agora, é estimado que o valor da companhia seja cerca de US$ 750 milhões, uma diferença de 98,4%.
Sob nova direção, o destino da WeWork é tão sólido quanto seu aluguel no WTorre Morumbi.











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