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Perspectivas para o mercado de escritórios: Brasil apresenta melhor performance que os EUA

  • A maior razão para a piora no mercado de escritórios dos EUA é o aumento do custo da dívida.
  • Ao final de 2022, a taxa de vacância para imóveis classes A+ e A na principal região do país, a Faria Lima, em São Paulo, era de apenas 5,07%.
Região da Faria Lima, em São Paulo
Região da Faria Lima, em São Paulo
Por: SiiLA News
28/03/2023
Desde o início deste ano, estamos vendo uma avalanche de más notícias sobre os proprietários de torres de escritórios nos EUA. Donos de empreendimentos ícones, também conhecidos como Trophys, como Columbia Property Trust, Brookfield e RXR, apareceram nas manchetes dos jornais por entrarem em default (termo em inglês que define o momento que uma empresa fica inadimplente) nas hipotecas de seus principais ativos.

Esta perspectiva negativa para o setor também está afetando os preços das ações dos dois maiores proprietários de escritórios de Nova York, a SL Green (NYSE:SLG) e a Vornado Realty Trust (NYSE:VNO), que estão com queda de mais de 70% desde o início do ano.

A maior razão para a piora no mercado de escritórios dos EUA é o aumento do custo da dívida. Com a inflação em alta, o Federal Reserve dos EUA aumentou a taxa dos fundos federais nos últimos 12 meses em 450 pontos-base, chegando a 4,75%. Como a maioria das grandes propriedades de escritórios nos EUA está sobrecarregada por dívidas, o aumento do custo de empréstimos evaporou o patrimônio líquido dos proprietários.

No longo prazo, o maior problema é que apenas cerca de 50% das pessoas voltaram ao escritório dos EUA, na comparação aos níveis pré-pandemia. Os locatários muitas vezes estão reduzindo ou até devolvendo seus espaços quando os contratos vigentes terminam. Essa mudança na demanda colocou uma pressão negativa sobre os valores de aluguéis e sobre as taxas de ocupação, causando uma queda nos investimentos.

Por outro lado, o setor de escritórios no Brasil está performando melhor. Este estilo americano de negócios atrelados às dívidas não é comum no país e, portanto, o mercado de imóveis corporativos não sofreu tanto com a inadimplência como nos EUA. Mais importante ainda, grande parte dos funcionários brasileiros voltaram a trabalhar presencialmente nos escritórios, tanto por conta da cultura local tanto pelo fato de que muitas casas não possuem boas estruturas para o home office. Segundo a SiiLA, ao final de 2022, a taxa de vacância para imóveis classes A+ e A na principal região do país, a Faria Lima, em São Paulo, era de apenas 5,07% e a média do valor pedido de aluguel estava 15% acima da registrada no ano anterior. Um grande contraste com a região de Midtown Manhattan, em Nova York, onde as taxas de vacância de escritórios estão próximas de 17%, os aluguéis estão estagnados, e não há grandes perspectivas de melhora no curto prazo.

Mesmo com o Brasil enfrentando turbulências políticas e econômicas, o mercado de ativos de escritórios de alto padrão não tem o mesmo grau de problemas estruturais que o dos EUA. Este fato chama a atenção de investidores estrangeiros a curto prazo, especialmente considerando a taxa de câmbio historicamente favorável. Essa é a visão também de Giancarlo Nicastro, CEO da SiiLA, que pergunta: "O que você prefere: um imóvel comercial em Midtown Manhattan que está 20% vago, que tem uma dívida que não pode ser refinanciada e não está sendo utilizado pelos inquilinos, ou um escritório na Faria Lima que é uma propriedade livre de dívidas, operando com capacidade total e com aluguéis em curva crescente?"

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