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Com taxa de ocupação de 89,3%, os empreendimentos multifamily em São Paulo movimentam cerca de R$ 89,6 milhões por mês em aluguéis, segundo dados do Market Analytics da SiiLA, o equivalente a uma média de R$ 174,95/m². O segmento, que vem se consolidando como uma alternativa mais estruturada ao aluguel residencial tradicional, alcança atualmente 573 mil m² de área total, com valores que variam conforme a classificação dos ativos.
Em São Paulo, em um período de 12 meses, o mercado de multifamily cresceu 19,4%, saindo de 479,8 mil m² no 3T24 para os atuais 573 mil m². Maurício Muniz, sócio da Brio Investimentos, afirma que o mercado de multifamily veio para ficar, tanto sob a ótica macroeconômica quanto sob a microeconômica, algo evidente pelos novos lançamentos e pela crescente aceitação do público por esse tipo de empreendimento.
“Todo mundo sempre soube disso, mas agora estamos num momento em que a ‘chavinha’ virou. Muitos projetos já estão entregues e operando: Vila 11, Brookfield, JFL. Em outro nicho, a Greystar começando com o Ayra Pinheiros e o Ayra Higienópolis. Acho que chegamos ao momento em que ninguém mais dúvida de que o multifamily vai acontecer. Isso vale para o ativo imobiliário como classe”, diz.
Os dados mostram que os empreendimentos são aceitos em todas as faixas de renda. Os ativos voltados ao público de renda mais alta e localizados nas regiões centrais e mais valorizadas da cidade apresentam taxa de ocupação de 81,8% e valor médio de locação de R$ 214,74/m². Juntos, somam 198 mil m² de área, o que representa uma receita mensal estimada em R$ 34,8 milhões.
Na classe B, que reúne projetos de padrão intermediário e forte presença em eixos de mobilidade urbana, o desempenho é ainda mais consistente: a ocupação chega a 93,6% sobre 307 mil m² de área total, com valor médio de R$ 165,74/m². Esses empreendimentos respondem por R$ 47,6 milhões mensais em aluguéis, mais da metade do volume total movimentado pelo setor.
Já os empreendimentos de classe C, voltados a faixas de renda mais baixas, mantêm taxa de ocupação de 88,9%, com valor médio de R$ 89,62/m². Mesmo representando a menor fatia do estoque, com 67 mil m², esse grupo ainda movimenta cerca de R$ 5,3 milhões por mês.
Muniz explica que um dos atrativos do multifamily é justamente o atual momento do mercado: a taxa de juros elevada e o alto custo de construção afastam parte das famílias da compra de um imóvel. “O custo para comprar imóvel está mais alto, e isso faz com que as pessoas demorem mais tempo para adquirir a casa própria. Na geração anterior, uma pessoa de classe média conseguia comprar seu primeiro imóvel por volta dos 32–33 anos. Agora isso está indo para perto dos 40. Esse período prolongado de vida no aluguel é onde queremos atuar”, comenta.
Outro fator relevante, segundo o sócio da Brio Investimentos, é que o multifamily oferece uma atratividade maior ao investidor em comparação com a compra tradicional de unidades residenciais pulverizadas. Muniz destaca que, além de proporcionar um yield mais elevado, o investimento em multifamily, por concentrar a propriedade em um único dono, elimina a competição interna no momento da locação.
“O investidor pessoa física que compra um estúdio para alugar tem yield baixo: 6–7% ao ano, talvez algum caso em 10%, mas na média é isso. E há um problema estrutural: a canibalização. Se você compra dois apartamentos e eu outros dois, e eu tiver um problema financeiro, vou baixar meu preço desesperado. Seu inquilino vê isso e te pressiona. Isso derruba o rendimento de todo o prédio. Além disso, o locador pessoa física às vezes é difícil no trato e exige garantias excessivas. O multifamily institucional traz segurança jurídica e estabilidade. A maioria já nem pede garantia locatícia. À medida que o mercado crescer, o inquilino vai entender que é melhor morar num multifamily do que num prédio pulverizado”, finaliza.
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