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Com um mercado já amplamente consolidado nos Estados Unidos, os empreendimentos Multifamily começam, aos poucos, a ganharem escala no Brasil. O segmento é caracterizado por edifícios residenciais desenvolvidos para locação, gerando renda para seus gestores e proprietários.
Para conquistar os inquilinos, estes ativos costumam investir em diversos itens que oferece comodidade aos moradores e vai muito além do que condomínios residenciais comuns oferecem.
Estamos falando dos “amenities” (facilidades, na tradução do inglês), que são serviços prestados pelas gerenciadoras do imóvel e que vão desde a oferta de limpeza periódica, café da manhã assinado por chefs e lavanderia, até a inclusão de um carro para usufruto do locatário com preço embutido no aluguel, tudo isso de forma personalizada e de acordo com a necessidade do cliente.
Além disso, os edifícios Multifamily costumam trazer outras regalias como a opção por imóveis 100% mobiliados, espaços pet friendly, compartilhamento de bicicletas, carregador para veículos elétricos, salas para coworking, e verdadeiros clubes com quadras de tênis e beach tennis, piscinas externas e em rooftops, academias tecnológicas, spas, salas de reunião e sistemas modernos que garantem maior sustentabilidade no uso da eletricidade, reutilização de água, jardins ecológicos, entre outros.
Atentas a novas oportunidades nesse mercado, incorporadoras como JFL Realty, Brookfield, Cyrela, Luggo (do grupo MRV), SKR, Vitacon, Vila 11 e Greystar estão investindo cada vez mais em empreendimentos do tipo. Essa última, por exemplo, prevê administrar 10 mil novos apartamentos e 40 edifícios em estilos Multifamily nos próximos dez anos no Brasil.
Fundada em 1993, a Greystar gerencia mais de 850 mil contratos de locação em 17 países diferentes. O grupo opera mais de US$ 200 bilhões em imóveis e, atualmente, desenvolve 3.600 unidades, sendo 2.100 já em operação e sob sua administração, que fazem parte do projeto Ayra. Neste negócio, o fundo de pensão canadense CPPIB possui participação e o investimento total no projeto é de R$ 1,7 bilhão.
Em entrevista recente à Bloomberg, o Country Manager da Greystar Brasil, Vitor Costa, confirmou a intenção da companhia em avançar fortemente no mercado Multifamily brasileiro. “Nosso plano é ser a principal empresa de Multifamily do País em diferentes extratos de renda”, contou Costa, na ocasião.
Ao portal REsource, da SiiLA, o diretor de investimentos da Greystar Brasil, Kim Azevedo, explica que o consumidor final desse tipo de negócio precisa ter a percepção de valor sobre o produto oferecido, que é cerca de 15% a 20% mais caro do que um aluguel comum.
Por falar em aluguel, os contratos que envolvem a locação dos imóveis são mais flexíveis se comparados aos praticados pelo mercado imobiliário comum. Ao invés dos costumeiros 30 meses de duração, os locatários podem optar por contratos de 3, 6 e 12 meses.
No caso da Greystar, que é amplamente replicado no mercado de Multifamily global, a empresa cuida do desenvolvimento dos projetos, da construção, da operação e até da gestão dos aluguéis e condomínios.
O grupo também capta os recursos de investidores e faz a gestão dos fundos imobiliários envolvidos no empreendimento. Segundo Costa, o objetivo da Greystar não é só ganhar dinheiro investindo nos edifícios e rentabilizando o negócio por meio das locações, mas também prestando serviços ao longo da cadeia imobiliária.
O diretor de operações da Greystar Brasil, Cristiano Viola, confirma a informação que dos US$ 320 bilhões geridos pela Greystar, ao menos US$ 78 bilhões são oriundos de fundos gerenciados pela companhia.
Ainda segundo Viola, no mercado norte-americano, onde o conceito Multifamily já se consolidou, a empresa desenvolveu prédios destinados à renda e, com isso, atraiu as atenções e, claro, os investimentos de fundos de pensão e até de fundos soberanos. Além do CPPIB, do Canadá, a Greystar tem parceria com o GIC, fundo soberano de Singapura.
“Grandes investidores gostam do segmento Multifamily porque é um mercado mais resiliente, se comparado ao Office ou a Shoppings, que são mais cíclicos”, comenta Viola.
Sobre os ‘amenities,’ o diretor de operações avalia como um dos principais diferenciais do mercado. No caso da Greystar, Viola diz que a equipe, inclusive, ficou surpresa com o alto interesse dos moradores e a alta taxa de utilização dos serviços oferecidos.
“Quanto mais o prédio cresce, vemos que mais ambientes são utilizados. O cliente vive o edifício na sua intensidade. Nosso coworking no projeto Ayra, por exemplo, é amplamente utilizado”, conta.
Dados do Market Analytics, da SiiLA, apontam que 94% dos empreendimentos multifamily possuem espaços para coworking. Veja abaixo alguns dos ‘amenities’ de serviços mais oferecidos pelas operadoras:
“Em breve, também ofereceremos estúdios de podcast. De acordo com a nossa pesquisa, os locatários estão bem ansiosos para poder utilizar esse novo espaço. Entendemos que o ‘multifamily’ também deve ser um espaço misto entre comercial e residencial, já que nossas análises mostram que cerca de 40% dos ocupantes desses edifícios são empreendedores”, completa Viola.
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