Se inscreva para ficar por dentro das novidades do mercado imobiliário, dos eventos, notícias e análises!

A demanda por data centers vem crescendo em todo o mundo, inclusive no Brasil. O crescimento se deve não apenas à expansão da nuvem digital (websites, backups digitais e redes sociais), mas também à popularização das inteligências artificiais (IA).
Bruno Porto, gerente da JLL responsável pela área de data centers, afirma que as IAs estão ganhando espaço e a procura por data centers para esse uso vem aumentando.
“A busca de empresas por espaços em data centers visando o uso de IA aumentou significativamente este ano, tanto em relação ao número de empresas buscando quanto ao tamanho dessas operações. Normalmente, os prazos para o início das operações relacionadas à IA têm um horizonte de 2 a 3 anos”, afirma.
Dados da JLL mostram que o Estado de São Paulo possui a maior operação de data centers do país, com 670 MW. Mesmo atingindo a maior posição do pódio, ao se comparar com regiões de outros países já consolidadas, como a Virgínia do Norte, nos EUA, que possui 3.972 MW, fica claro que ainda estamos defasados no mercado.
Rafael Luz, head de Cloud & DevOps da keeggo, empresa de consultoria de tecnologia, conta que o mercado vem avançando e a demanda está crescendo, e que os principais provedores de internet global estão presentes em terras brasileiras.
“Há muitos anos, o Brasil tem avançado na construção de data centers, principalmente para suportar demandas de serviços em nuvem, a transformação digital das empresas, o aumento do consumo de dados e a chegada do 5G, além da crescente utilização de soluções de inteligência artificial. Essas demandas, em grande parte, são atendidas pelos principais provedores globais, como AWS, Azure, GCP e Oracle”, conta Luz.
No entanto, o head explica que o Brasil é um mercado em desenvolvimento se comparado com outras regiões globais. Para exemplificar essa distância, Luz dá o exemplo da AWS, o serviço de computação em nuvem da Amazon, que no Brasil possui 3 zonas de disponibilidade na América do Sul, cada uma representada por um ou mais data centers; já na América do Norte, a AWS possui 25 zonas.
Em setembro, a Amazon anunciou que a AWS vai investir R$ 10,1 bilhões para construir, conectar, expandir, operar e manter data centers no Brasil. Antes disso, a companhia havia anunciado outro investimento de R$ 19,2 bilhões, aplicados entre 2011 e 2023.
De acordo com a JLL, a média de área dos empreendimentos de data center é de 60 mil m². O mapeamento da empresa revelou que Campinas é a região com a maior quantidade de empreendimentos, com uma operação de 410 MW, os quais nem sempre foram pensados e construídos para esse fim.
Bruno Porto explica que, para os empreendimentos que não foram pensados para isso, é necessário adaptar o imóvel logístico para um data center. Essa operação “normalmente envolve reestruturar toda a parte elétrica do imóvel, desde sua subestação, passando por equipamentos como geradores, baterias, UPS, dimensionamento dos quadros de energia, dimensão e distribuição dos cabos de energia, até a parte do sistema de aterramento.”
Além disso, Porto explica que toda a operação envolve a estruturação de um sistema de refrigeração de alta precisão, com controle de temperatura, umidade e qualidade do ar, preparado para funcionar 24 horas por dia, 365 dias por ano.
Fontes consultadas pela equipe avaliam que os custos de um projeto podem variar de R$ 5 milhões a R$ 15 milhões e, dependendo do projeto, ele pode chegar a até R$ 1 bilhão.
Para que toda a sua operação funcione, os data centers demandam uma infraestrutura não apenas do empreendimento em que estão locados, mas também de toda a alimentação energética da região. Segundo dados do Boletim Trimestral de Consumo de Eletricidade da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), as residências brasileiras consomem, em média, 177,7 kWh por mês. Enquanto isso, o maior data center da Scala, uma das principais empresas de soluções de nuvem do Brasil, possui um potencial máximo de 24 MW, o que dá 17,28 GWh, cerca de 97 mil vezes mais do que uma residência.
Esse número tende a aumentar ainda mais com a implementação de novas variantes de IA e o crescimento de criptomoedas. Um relatório do Santander revelou que o ChatGPT consome 10 vezes mais energia que o Google.
Em um mês, com base em 9 bilhões de pesquisas, o ChatGPT consome 783 GWh em todo o mundo, cerca de 24 vezes mais que o data center mais potente da Scala. Enquanto isso, as pesquisas do Google consomem 76,5 GWh por mês.
O relatório do Santander prevê que o uso das IAs, não apenas o ChatGPT, aumente a demanda por data centers, algo que também foi previsto pela Amazon. No documento, a AWS informa que “este investimento na infraestrutura de nuvem e conectividade da AWS no Estado de São Paulo ajudará a atender à crescente demanda dos clientes por serviços em nuvem e de inteligência artificial generativa.”
Por conta do grande consumo de energia, a própria Amazon está investindo também em infraestrutura para ajudar na preservação ambiental. A companhia revelou que até 2040 pretende atingir zero emissões de carbono em todas as suas operações. Além disso, a empresa investiu em um parque solar e um parque eólico que, juntos, produzem 530 GWh de energia limpa por ano; esse investimento pode abastecer 100 mil residências brasileiras, o que corresponde a 0,11% do total nacional, de acordo com o IBGE.
Além da AWS, o executivo da Keeggo explica que diversas empresas estão empenhadas em criar uma infraestrutura mais sustentável para seus ativos.
“Outro grande provedor, o Azure, da Microsoft, tem como objetivo se tornar carbono negativo até 2030. Em outras palavras, a Microsoft se compromete a remover mais carbono da atmosfera do que emite. Já o Google, com seu provedor de nuvem GCP, atingiu, desde 2017, o objetivo de usar 100% de energia renovável para alimentar suas operações globais, incluindo os data centers no Brasil.”
Luz diz que essas ações mostram um senso crítico das empresas e a ânsia de seguir as práticas do ESG, as quais podem impactar financeiramente uma companhia, visto que uma pesquisa realizada pela Union + Webster revela que 87% dos consumidores brasileiros preferem comprar de empresas que aderem a práticas sustentáveis.
Fique por dentro das notícias do mercado imobiliário em nosso grupo do WhatsApp. Acesse: https://bit.ly/REsourceWpp











Se inscreva para ficar por dentro das novidades do mercado imobiliário, dos eventos, notícias e análises!
