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A inteligência artificial está transformando a forma como as empresas operam, mas seu maior impacto pode não estar na tecnologia em si. Em participação no NXT Podcast, Daniel Torres, fundador da Robotize, defendeu que a automação representa uma oportunidade de devolver o trabalho às pessoas em sua forma mais humana, eliminando tarefas repetitivas e de baixo valor agregado que ainda ocupam grande parte do tempo de muitos profissionais.
Segundo ele, ainda é comum encontrar equipes inteiras dedicadas a atividades operacionais como conciliações bancárias, conferência de documentos e análises manuais de dados. Em muitos casos, esses processos poderiam ser automatizados com soluções acessíveis e já disponíveis no mercado. O problema, na visão do executivo, está menos na tecnologia e mais na resistência à mudança, na falta de conhecimento e na baixa priorização dessas iniciativas dentro das organizações.
Ao longo da conversa, Daniel destacou que o avanço da IA não tornará os profissionais menos necessários, mas exigirá novas habilidades. Para ele, as competências mais valorizadas nos próximos anos serão senso crítico, capacidade de interpretação, adaptabilidade, comunicação e inteligência emocional.
“A tecnologia estará disponível para todos. O diferencial será a capacidade de entender contextos, fazer perguntas melhores e tomar decisões com discernimento”, afirmou.
Outro ponto abordado foi a importância da qualidade dos dados. Daniel alertou que muitas empresas estão acelerando projetos de IA sem antes organizar suas informações. Na prática, bases inconsistentes, processos mal estruturados e fontes desconectadas comprometem qualquer iniciativa de inteligência artificial.
“Automatizar um processo ruim só faz com que ele execute erros mais rápido”, resumiu.
O executivo também chamou atenção para um risco crescente: a dependência excessiva da tecnologia. Embora a IA seja capaz de processar volumes gigantescos de informações, ela ainda depende da supervisão humana para validar resultados, interpretar cenários e tomar decisões estratégicas. Para ele, o verdadeiro desafio não é tecnológico, mas cultural. Empresas e profissionais precisarão aprender a utilizar a tecnologia como meio, e não como fim.
Na avaliação de Daniel, as organizações que mais se destacarão serão aquelas capazes de combinar velocidade tecnológica com capacidade humana de adaptação. O futuro não pertence necessariamente aos mais inteligentes, mas aos mais flexíveis diante das mudanças. Enquanto a informação se torna abundante e a automação ganha espaço, características como criatividade, relacionamento, confiança e julgamento crítico tendem a se tornar ainda mais raras — e, justamente por isso, mais valiosas.
Assim, a transformação digital não deve ser vista apenas como uma revolução de ferramentas, mas como uma mudança profunda na forma como pessoas e empresas criam valor. Em um mundo cada vez mais automatizado, a capacidade humana de interpretar, questionar e se adaptar continua sendo o principal diferencial competitivo.
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