Se inscreva para ficar por dentro das novidades do mercado imobiliário, dos eventos, notícias e análises!

O processo de comercialização imobiliária se transformou nos últimos anos. Antigamente, o charme para o processo de locação de escritórios era fincar uma placa de uma grande empresa de corretagem, como a CBRE, que obtinha exclusividade na comercialização do ativo. A partir daí, a empresa era responsável por oferecer o espaço a potenciais inquilinos – processo que poderia demorar anos, sem prejuízo a empresa de corretagem, enquanto os proprietários arcam com as despesas.
Nos dias atuais, inquilinos buscam novos espaços de maneira digital, enquanto proprietários começam a se adaptar a esta nova realidade. Empresas de tecnologia oferecem plataformas para buscas, tour virtuais, fotos e vídeos. Tudo para que o processo seja o mais rápido e eficiente para todos os envolvidos.
No mercado corporativo, porém, poucas empresas proprietárias estão investindo no digital. Em uma investigação da equipe do REsource, o principal motivo apontado pelos profissionais do setor é o forte monopólio da CBRE.
“Hoje, a CBRE faz diversas exigências para incluir nossos imóveis em sua carteira, como a exclusividade, o que inviabiliza investirmos em outras formas de divulgação”, revela executivo que prefere não ter seu nome na reportagem por possuir um contrato vigente com a empresa. “No final do dia, nosso empreendimento fica vazio por um longo período. E, o pior, se o inquilino chega por outro meio, nós precisamos pagar à CBRE de qualquer maneira.”
Questionado o porquê mantém o contrato com a empresa, o executivo desabafa: “infelizmente, sabemos que, ao tentar ir contra a CBRE, eles fazem de tudo para destruir a imagem do imóvel e evitar que inquilinos façam visitas. Me remete a uma máfia. Me exigem exclusividade. Se eu não aceito, nos queimam no mercado. E, mesmo com a exclusividade, não se dedicam a trabalhar meus ativos”.
Caso semelhante é relatado por outro executivo do setor, com propriedades na região da Vila Olimpia. “Já fizemos no passado contrato de exclusividade em um grande empreendimento na zona sul de São Paulo. O desempenho foi péssimo. E, para piorar, o fato de a empresa cobrar uma comissão mesmo quando a demanda vinha de terceiros, atrapalhava muito. As outras empresas ou corretores não queriam trabalhar por meia comissão, e para nós, custava uma comissão e meia”.
Cláudio Hermolin, que atua como Presidente Sinduscon do Rio de Janeiro e vice presidente para o sudeste da CBIC – Câmara Brasileira da Industria da Construção, além de ser Conselheiro e Sócio da Primaz Corporate, relata que a CBRE utiliza o serviço de exclusividade como uma reserva de mercado, buscando privilegiar determinados clientes. “Algumas empresas grandes buscam, incansavelmente, assinar contratos de exclusividade apenas para tirar do mercado aquele imóvel”. “Na prática, não entregam um serviço diferenciado e também não delimitam essa exclusividade. Ao invés de ajudar o cliente na solução do problema dele, na verdade, ele deixa o cliente preso durante o período de exclusividade. Isso gera muita frustração e insatisfação”, comenta o executivo.
A reserva de mercado funciona quando uma empresa de corretagem privilegia determinado cliente ou ativo, evitando que prédios concorrentes recebam visitas de potenciais inquilinos. “Infelizmente é uma prática que acontece, em especial com CBRE, onde querem deixar todos os imóveis na carteira, mas só realizam visitas nos empreendimentos mais vantajosos a eles mesmos”, comenta um corretor que prefere não ter seu nome divulgado.
Cláudio Hermolin também relata outra manobra utilizada pela CBRE. “Há um conflito claro das empresas que são comercializadoras e administradoras, como a CBRE. No papel de administradora, ela tem o controle de acesso ao ativo, e na comercialização detém o controle do que está sendo ofertado, e por quanto está sendo ofertado. Com o acesso a esses dois lados, muitas vezes elas impedem, dificultam ou até boicotam que o concorrente participe da comercialização de um ativo que ele administra, fazendo com que, infelizmente, o cliente caia de novo na armadilha da necessidade da exclusividade”.
No final do dia, comenta Hermolin, o prejuízo é do proprietário. “A exclusividade não acontece pela competência, e sim impedindo que outros concorrentes participem da tentativa de vender ou alugar o imóvel. A exclusividade é ótima quando atrai inquilinos, acompanha um excelente serviço, livre concorrência, eficiência e, por fim, bons resultados. Mas isso não é o que acontece no nosso mercado”, conclui Hermolin.
De acordo com Giancarlo Nicastro, CEO da SiiLA, existem análises claras que mostram o fraco desempenho na perfomance de ocupação de algumas propriedades vinculadas à exclusividade da CBRE. "Dados disponíveis no Market Analytics trazem exemplos claros de prédios de escritórios comercializados pela CBRE que apresentam altas taxas de vacância e volume de locação abaixo das médias de mercado”.










Se inscreva para ficar por dentro das novidades do mercado imobiliário, dos eventos, notícias e análises!
