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Por mais que não seja mundialmente obrigatório, empresas e organizações que não possuem estratégias ambientais estão fadadas ao retrocesso, isso porque as questões ESG (sigla em inglês para ambiental, social e governança), que incluem os cuidados com o meio ambiente, deixaram de ser tendência para ser algo necessário, devido aos últimos acontecimentos climáticos e, também, pelos retornos financeiros esperados da economia e eficiência das operações.
No Brasil, imóveis comerciais, incluindo edifícios corporativos, buscam certificações que reforçam seu compromisso com a sustentabilidade. De acordo com a plataforma SiiLA, há 212 prédios de escritórios das classes A+, A e B certificados com selos de sustentabilidade nas cidades monitoradas pela plataforma: São Paulo, Rio de Janeiro, Campinas, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba e Porto Alegre. São Paulo lidera com 156 propriedades certificadas, incluindo o Complexo JK – Torre Santander com 74.199,94 m² e o 17007 Nações - Torre Sigma com 59.545 m².
No México, dados da plataforma Market Analytics, da SiiLA, indicam que existem 175 imóveis com certificação ambiental nos mercados monitorados: Cidade do México (CDMX), Guadalajara, Monterrey e Querétaro. Entre os destaques estão o Antara Corporativo, um empreendimento classe A+ localizado em Polanco, CDMX, com certificação Leed Gold, e o Century Plaza, na região de Santa Fé, também na CDMX, que possui 26,422 m² de área e certificado de sustentabilidade.
Em um bate-papo com Sandrino Beltrane, Head of Business Development - Brazil at Green Business Certification (GBC), empresa representante do LEED no Brasil, ele conta que a certificação é uma parte importante da demonstração do progresso em direção às metas de sustentabilidade corporativa, aumentando valor do ativo e proporcionando importantes economias de custos operacionais.
“Os edifícios verdes são uma solução global para cidades, comunidades e bairros. Eles podem reduzir as emissões de carbono, o uso de energia e o desperdício, conservam a água, priorizam materiais mais seguros e diminuem nossa exposição a toxinas”, comenta Beltrane.
O LEED é o sistema de classificação de edifícios verdes mais utilizado no mundo, testado pelo USGBC em 1998 e com os primeiros projetos certificados em 2000. Hoje, existem mais de 197.000 projetos no mundo que possuem o selo. Dados compartilhados por Beltrane mostram o Brasil em quinto lugar como país que mais emite certificados LEED.
Na lista da USGBC, o Brasil é superado pelo mercado do Peru, ficando na quinta posição com 2.605.269,39 m². O México fica na 10ª posição. Mesmo assim, Sandrino reforça que tanto o Brasil quanto o México são dois mercados mais relevantes na região.
Fora das Américas, a China está em primeiro lugar no ranking. A empresa diz que os EUA continuam sendo o maior mercado mundial para LEED, com mais de 556 milhões de sq ft (pés quadrados) certificados em 2023.
“Vamos ter uma próxima versão do certificado, o LEED v5. Vamos tentar abraçar as demandas do mercado por maior responsabilidade, além de apresentar soluções para alinhar o ambiente construído com imperativos críticos, incluindo descarbonização, conservação e restauração de ecossistemas, equidade, saúde e resiliência” enfatiza Beltrane.
Países que não tem a classificação LEED não quer dizer que não tenham certificação de sustentabilidade. Um exemplo disso é o EDGE (Excellence in Design for Greater Efficiencies), um processo de certificação para edifícios verdes lançado em 2015 pela Internacional Finance Corporation (IFC), um dos órgãos do Banco Mundial. Em 2022 a empresa publicou que a Colômbia foi o país que mais certificou seus edifícios com o selo, em 118 edifícios. Outros países foram Vietnã, Indonésia e México. Ainda naquele ano o Brasil possuía cerca de 17 empreendimentos apontando um crescimento significativo na procura. Em 2023 o Brasil já acumulava cerca de 120 certificações emitidas.
A Brookfield Properties coleciona certificados de sustentabilidade em seu portfólio de escritórios. Mas, nas últimas semanas, a empresa conquistou o selo DGE, pela primeira vez, em dois empreendimentos multifamily.
A companhia afirma que durante o desenvolvimento dos empreendimentos, foram adotadas medidas que evidenciam a redução do consumo de energia, água e carbono incorporado. Entre os destaques estão: uso de energia solar, adoção de torneiras e chuveiros de baixa vazão, redução da quantidade de cimento, aço nas lajes e sombreamento das janelas por persianas integradas.
A Brookfield tem como estratégia atingir o NetZero em todo portfólio até 2050. Os locais a ganhar o selo são o Luggo Rebouças em Curitiba, com área privativa de 6.338,88 m² e o Luggo Jardim Carvalho em Porto Alegre, com 3.906,04 m².
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