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Durante 2025, o mercado brasileiro de condomínios logísticos entregou 2 milhões m² de novos ativos das classes A+, A e B, segundo dados da SiiLA. Parte relevante desse volume veio de projetos build-to-suit (BTS), modelo que vem ganhando força sobretudo a partir da perspectiva de quem ocupa os imóveis, pressionado por ganhos de eficiência, automação e metas ambientais cada vez mais rígidas.
Na visão da DHL Supply Chain, uma das maiores operadoras logísticas do país, a principal diferença entre um imóvel BTS e um empreendimento especulativo está no grau de alinhamento entre o ativo imobiliário, a estratégia da empresa e as necessidades dos clientes atendidos.
Segundo Danilo Marcuci, Head de Corporate Real Estate Brasil e Cone Sul da DHL Supply Chain, projetos desenvolvidos sob medida permitem incorporar desde a concepção elementos críticos para a operação, como automação, sistemas inteligentes, previsibilidade de custos de longo prazo e soluções sustentáveis, em linha com a meta global de neutralidade de carbono do grupo.
“Para a DHL, a diferença está na capacidade de alinhar o imóvel à nossa estratégia e a necessidade do cliente. Um projeto Build-to-Suit (BTS) é desenvolvido sob medida, permitindo incorporar desde a concepção elementos essenciais para maior eficiência, isso significa integrar soluções como automação, sistemas inteligentes, previsibilidade de custos a longo prazo e práticas sustentáveis que contribuem para nossa meta global de neutralidade de carbono, sendo necessário levar em consideração um período longo de construção e contrato de locação”, explica.
Já os galpões especulativos, embora mais genéricos do ponto de vista construtivo, seguem relevantes para operações que demandam rapidez na ocupação ou maior flexibilidade contratual.
Ao escolher um imóvel no Brasil, a DHL considera uma combinação de fatores que vão além do espaço físico. Competitividade de custos, localização estratégica capaz de otimizar a malha logística e reduzir tempos de entrega, infraestrutura preparada para automação e crescimento futuro, além de soluções sustentáveis — como eficiência energética, eletromobilidade e preparação para energia renovável — estão entre os principais critérios. Questões de compliance e segurança também pesam, especialmente em operações críticas.
“Temos avançado em projetos que incorporam práticas sustentáveis e tecnologias inovadoras, reforçando uma logística mais verde e eficiente”, diz o executivo.
Essa demanda por ativos mais especializados também é percebida do lado dos desenvolvedores. Para Márcio Siqueira, diretor executivo de Operações da Log, o movimento é mais evidente entre empresas de e-commerce, que lideram os contratos BTS, mas também ampliam presença em locações modulares tradicionais.
Setores como o alimentício, farmacêutico e siderúrgico também vêm reforçando a procura por projetos sob medida, impulsionados pelo alto nível de customização exigido por suas operações, com layouts específicos, investimentos elevados em tecnologia e fluxos produtivos que não se adaptam facilmente a galpões padrão.
“Normalmente isso acontece em função da necessidade de customização da operação que traz altos investimentos para montar seu layout específico fazendo com que seja mais interessante ter um contrato atípico”, afirma Siqueira. Um dos exemplos citados pelo executivo é o Parque Industrial de Betim (PIB), em Minas Gerais, ativos desenvolvidos pela Log.
O complexo abriga operações do Mercado Livre e da Belgo Bekaert. O caso ilustra como o BTS tem sido utilizado como ferramenta estratégica para ganho de produtividade e integração de etapas críticas da cadeia de suprimentos.
Para 2026, a expectativa do lado da LOG é de continuidade na busca por imóveis de alto padrão, com infraestrutura elétrica reforçada, pisos preparados para automação avançada e maior flexibilidade para adaptações tecnológicas ao longo do contrato. Do ponto de vista dos ocupantes, no entanto, o modelo BTS não elimina a relevância dos ativos especulativos.
“Mais do que definir tendências, o foco deve ser criar possibilidades”, afirma Marcuci. “Na DHL, atuamos tanto no desenvolvimento de projetos BTS quanto na locação de imóveis especulativos, sempre buscando oferecer valor estratégico para diferentes setores e regiões.”
A tendência acompanha a reorganização das cadeias produtivas, a interiorização da logística e o avanço do e-commerce, além da expectativa de que a reforma tributária redesenhe a lógica de posicionamento de estoques no país. “A reforma tributária fará com que os estoques fiquem mais perto do consumo, e isso cria oportunidades para desenvolver projetos sob medida onde há demanda real por eficiência, conectividade e escala”, conclui Siqueira.











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