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O termo "aluguel efetivo líquido", ou no inglês Net Effective Rent, é bastante utilizado por players do mercado imobiliário comercial quando buscam falar do valor real de uma locação, deduzindo itens negociados que impactam na receita total, como período de carência, desconto por prazos determinados, ou outros incentivos que podem incluir auxílio mudança, co participações no projeto arquitetônico, entre outros.
São muitas as razões pelas quais os proprietários concedem tais benefícios aos seus inquilinos, em especial eles buscam que o locatário tome uma decisão mais rápida ao decidir locar uma nova área. Por exemplo, quando o impacto da pandemia da Covid-19 reduziu a demanda por escritórios em todo o mundo, no Brasil o preço médio pedido teve queda de quase 5%, enquanto no México, outro país monitorado pela SiiLA, o preço médio pedido diminuiu 7% durante os primeiros seis meses de 2020. As informações e análises foram obtidas na plataforma Market Analytics.
No Brasil, a Lei do Inquilinato (Lei Federal de nº 8.245) normatiza sobre direitos e deveres de inquilinos e proprietários. A lei prevê em quais casos o inquilino deve ser indenizado por valores gastos em obras, entre outros aspectos importantes.
Calcular desde o princípio o Net Effective Rent traz benefícios tanto para proprietários como inquilinos no mercado imobiliário comercial. Para os inquilinos, saber o custo real do aluguel proporciona transparência financeira e segurança ao planejar suas despesas. Por sua vez, para os proprietários, permite ajustar o preço de mercado para garantir que o aluguel cubra os custos e ofereça o retorno do investimento adequado.
Então, como calcular o Aluguel Efetivo Líquido?
O aluguel efetivo líquido é calculado dividindo a diferença entre o valor total do aluguel bruto já subtraindo valores referentes às concessões e incentivos, pelo tempo de duração do contrato de locação.
A fórmula é a seguinte: Aluguel Efetivo Líquido = (Aluguel Bruto - Deduções) / Duração do Contrato.
Vale ressaltar que:
A) O aluguel bruto é o valor do aluguel estipulado em um contrato de locação por um determinado período sem considerar carências, deduções ou incentivos;
B) Carências, deduções ou incentivos incluem qualquer benefício que o proprietário concede ao inquilino, como períodos de aluguel gratuito, também conhecido como carência, subsídios para melhorias na propriedade, auxílios para despesas de construção, entre outros;
C) A duração do contrato de locação é o tempo total abrangido pelo acordo legal, incluindo qualquer período de carência;
D) O aluguel efetivo líquido (Net Effective Rent) é o custo real do aluguel, já que deste valor já estão subtraídos os valores referentes aos incentivos ofertados aos inquilinos.
Exemplo: Imagine que você queira locar um espaço comercial na Faria Lima, em São Paulo, onde, segundos os dados mais recentes da plataforma Market Analytics, o preço médio pedido por metro quadrado é de R$198/m², e o escritório desejado tenha 1 mil m².
Pensando em um contrato de 5 anos, durante a negociação o proprietário conceda um preço reduzido de R$ 195/m² nos dois primeiros anos, além de 2 meses de carência para facilitar o processo de mudança do novo inquilino.
Neste exemplo, o aluguel bruto do espaço comercial é de R$ 198 por metro quadrado por mês para uma área de 1 mil m² que será locada por 5 anos. Para calcular o aluguel bruto que será pago ao longo do contrato, precisamos multiplicar o preço de aluguel por metro quadrado pela área que alugaremos por 12 meses e pela duração do contrato.
Assim, temos R$ 198 (preço por m²) * 1.000 (área) * 12 (meses no ano) * 5 (anos de contrato válido) = R$ 11.880.000. Isso significa que ao longo de cinco anos, pagaremos um aluguel bruto de R$ 11.880 milhões por um espaço na Faria Lima, equivalente a um aluguel mensal de R$ 198 mil reais, ou anual de 2,376 milhões.
No entanto, para calcular o aluguel efetivo líquido, precisamos subtrair o valor das concessões, descontos ou incentivos acordados com o proprietário do aluguel bruto. Primeiro, a oferta inclui o pagamento de R$ 195 por metro quadrado mensal nos dois primeiros anos. Essa quantia multiplicada por 1 mil m² por dois anos nos dá R$ 4,680 milhões, contra os R$4,752 milhões que seria o total para os dois anos na locação por R$198/m² prevista no contrato. Na subtração, o resultado é R$ 72 mil a menos do que seria pago com a preço cheio de R$ 198.
Além disso, há dois meses de aluguel gratuito. Se o valor cheio do aluguel é de R$ 198 mil, dois meses de carência representam a economia de R$396.000.
Como resultado, temos deduções totais de R$ 468.000 (R$396.000 referente aos dois meses de carência + R$72.000 referentes aos dois anos, 24 meses, com aluguel com desconto).
Para calcular o aluguel efetivo líquido com esses dados, precisamos dividir a diferença entre o aluguel bruto e os incentivos, pela duração total do contrato de locação. A fórmula é a seguinte: Aluguel Efetivo Líquido = (Aluguel Bruto - Deduções) / Duração do Contrato.
Aplicando a fórmula, obtemos (R$11.880.000 – R$ 468.000) / 5 = R$ 2.282.400 milhões. Isso significa que será pago R$2,282 milhões em aluguel líquido anualmente, ou R$ 190.200,00 por mês.
O valor calculado acima demonstra precisão para o primeiro ano do contrato. Porém, nos modelos de acordos de locação no mercado brasileiro, o valor do aluguel bruto sofrerá reajuste a cada aniversário de contrato, seguindo um índice pré estabelecido por ambas as partes. Os mais comuns para o mercado de imóveis brasileiros é o IGP-M, IPCA e o SBI, índice oferecido pela SiiLA que mede o retorno de renda, retorno do capital ou retorno total dos investimentos em imóveis.
Outro aspecto a ser considerado é que a lei brasileira prevê uma renegociação do valor entre proprietários e inquilinos a partir do 3º ano de contrato. Com isso o valor do aluguel bruto poderá ser alterado, se tornando necessário refazer o cálculo do Aluguel Efetivo Líquido.
Negociação e contratos de locação de imóveis comerciais é tema de aula nos dois módulos oferecidos no curso SiiLA ACADEMY, o de Escritórios e o Logístico. Para as turmas de setembro de 2023, o assunto será apresentado por executivos de mercados, que assumem a posição de professores convidados. Por exemplo, os estudantes do curso de Logística terão a oportunidade de aprender com Ricardo Betancourt, CEO da Colliers no Brasil, uma empresa multinacional com atuação em representação de proprietários, inquilinos, avaliação e consultoria.
Agora você já sabe como calcular o aluguel efetivo líquido! Para explorar mais temas relacionados ao mercado imobiliário comercial e aprender mais conceitos, continue acompanhando as notícias no REsource ou entre em contato pelo e-mail comunicacao@siila.com.br.











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