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Os supermercados vêm passando por uma profunda transformação, não apenas no modo de vender, como também com quem eles competem. Hoje, a maior briga no varejo alimentício é entre os supermercados e os atacarejos, batalha a qual o Carrefour, praticamente, se declarou como derrotado.
Em 2023, a companhia inaugurou sua principal sede no Brasil, o Campus Carrefour. Desde então, novos desafios surgiram no mercado, como a popularização do atacarejo, um produto que a empresa francesa já possuía em seu portfólio, o Atacadão.
No final de 2025, menos de três anos depois da inauguração do Campus Carrefour, a companhia anunciou a mudança de sua sede. Agora, o Carrefour levará sua operação para a região da Vila Maria, junto com a operação do Atacadão.
“A mudança de sede do Campus, em Tamboré, para escritórios no Tatuapé e na Vila Maria faz parte do processo de integração e fortalecimento do ecossistema do Grupo Carrefour Brasil, aproximando ainda mais as equipes do Atacadão, Carrefour e Sam’s Club e promovendo maior sinergia, colaboração e eficiência entre as áreas corporativas e de negócio. A decisão também considera o bem-estar dos colaboradores e a mobilidade urbana”, disse a companhia em um comunicado ao REsource.
Dados do Market Analytics da SiiLA indicam que a mudança não acontece apenas no âmbito administrativo, no operacional também. Nos últimos 12 meses (1T 2025 e 1T 2026), a área ocupada do Carrefour encolheu 26.5 mil m², apenas em condomínios logísticos, desconsiderando empreendimentos isolados.
Em uma análise maior, nos últimos cinco anos (1T 2021 e 1T 2026), a francesa perdeu 59.2 mil m² de área ocupada. Porém sua contraparte no atacarejo cresceu 10.4 mil m², apesar de não ser um crescimento expressivo, ainda sim é melhor que o desempenho da empresa dita como principal.
O crescimento do atacarejo virou o principal motor do varejo alimentar brasileiro nos últimos anos. O próprio Carrefour acelerou esse movimento ao priorizar o Atacadão e reduzir a exposição ao hipermercado tradicional. Em 2023, a companhia anunciou a conversão de cerca de 40 hipermercados em unidades do Atacadão e Sam’s Club entre 2024 e 2026.
O Assaí é talvez o melhor exemplo dessa transformação. A rede concluiu em 2024 seu projeto de conversão de 66 hipermercados e alcançou a marca de 300 lojas no país, consolidando um dos maiores ciclos de expansão do setor alimentar brasileiro.
Dados do Market Analytics da SiiLA mostram que o Assaí cresceu 111.5 mil m² em área locada em condomínios logísticos em todo o Brasil desde 2021.
O Grupo Mateus também reforça essa tendência. A companhia vem expandindo fortemente sua presença no Nordeste, sobretudo por meio do formato atacarejo. Em 2025, o grupo inaugurou dezenas de novas lojas e ultrapassou a marca de 300 unidades operacionais, mantendo o Mix Mateus como um dos principais vetores de crescimento. Dentro do mercado de condomínios logísticos, o grupo cresceu 74 mil m².
Enquanto isso, os hipermercados perderam relevância no varejo alimentar. O modelo passou a sofrer com custos operacionais elevados, grandes áreas de venda e mudanças no comportamento do consumidor, que migrou para formatos mais eficientes em preço, como atacarejos e lojas de proximidade. O próprio Carrefour vem promovendo fechamentos e conversões de unidades tradicionais em diversas regiões do país.
Outros casos também mostram que os modelos tradicionais do varejo alimentar estão em crise. A rede Extra, que encerrou suas operações no segmento de hipermercados, vendeu suas lojas para o Assaí entre 2021 e 2022.
O grupo espanhol Dia também enfrentou dificuldades nos últimos anos, com dívidas superiores a R$ 1 bilhão, fechamento de lojas e recuperação judicial. Atualmente, a empresa está focada em operações menores.
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