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Quem vê de fora, deve imaginar que a China possui as mesmas estratégias econômicas com todos os países da América Latina. Mas, a história não é bem assim. México e Brasil possuem relações comerciais bem diferentes com a China, o que afeta os mercados de imóveis de maneira diferente nos dois países.
O Brasil possui um grande superávit comercial com a China, principalmente devido à exportação de recursos naturais, como minério de ferro, soja e petróleo. A China é de longe o maior parceiro comercial do Brasil, respondendo por 31,3% de suas exportações totais. O presidente Lula reforçou a relação em sua recente viagem ao país, quando visitou o líder chinês Xi Jinping em abril. Com a China focada principalmente em recursos naturais, seus investimentos no Brasil se concentram em infraestrutura e mineração. Essas atividades geram certa demanda por escritórios e condomínios logísticos, mas o impacto real no mercado imobiliário comercial não é tão grande assim.
Ao contrário do Brasil, o México tem um enorme déficit comercial com a China, devido à importação pesada de eletrônicos e bens manufaturados e exportações mínimas. A relação da China com o México está principalmente voltada para a fabricação de bens destinados à exportação para os Estados Unidos, especialmente na indústria automobilística. O México também possui um acordo de livre comércio com a China. Isso dá à China um acesso um tanto quanto “conveniente” ao livre comércio ao mercado dos EUA por meio da participação do México no The United States-Mexico-Canada Agreement (USMCA) - acordo comercial entre os três países da América do Norte antes conhecido como NAFTA. Este acesso tem sido estratégico para a China lidar com interrupções nas cadeias de suprimentos e tensões nas relações comerciais com os EUA. Para consolidar essa estratégia, a China tem acelerado seus investimentos nos mercados mexicanos com indústrias maquiladoras, que são aquelas onde o produto fabricado não é comercializado no país onde foi produzido, o que causou um forte impacto no mercado imobiliário industrial das regiões que fazem fronteira com os EUA. Por exemplo, a taxa de vacância geral para ativos industriais em Tijuana é de apenas 0,18% e o preço médio pedido registrou aumento de 38% no último ano, de acordo com dados da SiiLA no México. Essa tendência deve continuar tendo em vista que são monitorados mais de 577 mil m² em ABL de ativos industriais para serem entregues ainda em 2023, um crescimento de estoque impulsionado principalmente pela demanda insaciável das operações de manufatura chinesas.










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