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Sexta-feira 13. Para muitos, o número 13 é frequentemente associado ao azar, à má sorte ou a um mal presságio. Na cultura judaico-cristã essa associação é muito mais perceptível e refletida em filmes de terror, superstições cotidianas e até mesmo em edifícios corporativos.
Desde os primeiros arranha-céus em Nova York até os edifícios de escritórios mais modernos na América Latina, o medo do 13º andar influenciou o design e a numeração de muitos imóveis. Essa prática, enraizada em uma mistura de crenças urbanas, religiosas e culturais, levou muitos desenvolvedores a omitir ou disfarçar esse andar em seus projetos.
No Brasil, há poucos exemplos de empreendimentos com esses aspectos, porém prédios como Pátio Victor Malzoni, as torres Rochaverá, o Faria Lima Plaza e o Faria Lima Financial Center “pulam” o décimo terceiro andar. Veja:
Se os exemplos brasileiros são poucos, no México é mais comum se deparar com empreendimentos que não possuem o décimo terceiro andar. Nos quatro principais mercados de escritórios mexicanos — Cidade do México, Guadalajara, Monterrey e Querétaro —, apenas 19% dos edifícios de classe A+, A e B têm o andar de número 13, de acordo com dados da SiiLA. Isso significa que pelo menos 166 edifícios nessas cidades desafiam a superstição.
Embora a maioria dos edifícios no México evite o 13º andar, pulando do 12º para o 14º ou usando rótulos como 12 ½ ou 12B, os dados do Market Analytics no país revelam diferenças e semelhanças interessantes na comercialização desses espaços.
Enquanto a taxa de vacância nos 13º andares é 13% maior que a média nos principais mercados de escritórios do país, girando em torno de 20,5%, o preço pedido é quase idêntico, em US$ 22,7 por metro quadrado, comparado a US$ 22,9 para a média dos escritórios. Isso indica que, embora a superstição possa influenciar a demanda, ela não é forte o suficiente para desvalorizar esses espaços.
85% dos 13º andares estão em edifícios de classe A+ e A, como a Torre Mayor e o The Summit Santa Fe , com 83% dessas propriedades localizadas na Cidade do México. Nesses edifícios, os principais inquilinos são dos setores governamental, financeiro e de consultoria, ocupando 24%, 12% e 6% dos 13º andares, respectivamente.
Nos mercados de Bogotá e Medellín, na Colômbia, segundo a SiiLA, quase 27% dos edifícios de classe A+, A e B possuem um 13º andar. A taxa de vacância nesses andares é 33% menor que a média nacional de aproximadamente 8%, e os preços pedidos nos 13º andares são 19% superiores à média do país. Isso sugere que, embora a superstição persista, a demanda por esses espaços é alta, e os inquilinos estão dispostos a pagar um prêmio, um contraste marcante com a situação no México.
Globalmente, o Woolworth Building em Nova York, concluído em 1913, foi um dos primeiros arranha-céus a omitir o 13º andar, tornando-se um precursor dessa prática. No México, embora não haja registro exato do primeiro edifício a fazê-lo, omitir o 13º andar tornou-se popular na segunda metade do século XX, especialmente com o surgimento dos arranha-céus modernos.
O medo do número 13, conhecido como triscaidecafobia, tem suas raízes em crenças religiosas antigas e superstições que persistiram ao longo do tempo. Uma das histórias mais influentes vem da tradição cristã, onde se diz que na Última Ceia de Jesus, havia 13 apóstolos, com Judas Iscariotes, o décimo terceiro convidado, traindo-o. Isso levou a associar o número 13 com traição e má sorte, uma noção que se espalhou e foi reforçada em diferentes culturas, afetando até mesmo a numeração de edifícios.
No entanto, há outros fatores além disso. Em muitas culturas, o número 13 é considerado azarado por várias razões. Na numerologia, o número 12 é considerado "completo" ou "perfeito," associado à plenitude e à ordem, como os 12 meses do ano ou os 12 signos do zodíaco. O número 13, sendo um a mais que 12, é visto como um número que perturba essa ordem, levando-o a ser considerado "desestabilizador" ou "incompleto.
A superstição numérica não se limita ao número 13. Em alguns países asiáticos, por exemplo, o número 4 é evitado porque sua pronúncia é semelhante à palavra "morte," tornando-o um número de azar; em algumas partes da Europa, o número 17 é considerado infeliz.
Da mesma forma, as culturas pré-colombianas nas Américas tinham suas próprias superstições numéricas; por exemplo, na cosmologia asteca, o número quatro representava as direções cardeais e a estabilidade, enquanto o número cinco, que introduzia uma direção central, podia ser percebido tanto positivamente quanto negativamente, dependendo do contexto, pois estava associado tanto ao equilíbrio quanto à instabilidade.
Além das superstições, em cidades como Nova York, a omissão do 13º andar também ocorreu por razões de planejamento urbano. No início do século XX, alguns críticos da época acreditavam que a construção de edifícios com mais de 12 andares quebrava a estética urbana e poderia criar problemas logísticos e estruturais.
O equilíbrio entre tradição e funcionalidade continua sendo um desafio na arquitetura moderna, onde as crenças culturais e as necessidades urbanas se entrelaçam de forma inesperada.
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