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O mercado imobiliário comercial brasileiro encerrou 2024 com sinais de resiliência e adaptação às mudanças econômicas e tecnológicas. Apesar dos desafios macroeconômicos, como as altas taxas de juros, o setor manteve-se sólido, com uma demanda consistente por imóveis e valores interessantes nas transações, analisa Felipe Leite, sócio da Primaz Corporate, empresa que atua na área de intermediação e estruturação de transações para grandes ativos imobiliários.
“A microeconomia do setor imobiliário se manteve sólida neste ano. A taxa de vacância de galpões e escritórios diminuiu, e os shoppings superaram as expectativas de recuperação pós-pandemia. A demanda por imóveis também continuou firme”, avalia Leite.
A Primaz Corporate, revela o executivo, registrou transações acima de R$ 1 bilhão pelo sexto ano consecutivo, destacando-se em um mercado que presenciou grandes operações, como a venda dos shoppings Pátio Higienópolis e Paulista pela Brookfield para a Iguatemi e outros fundos, em um negócio avaliado em mais de R$ 2,5 bilhões, conforme revelou o REsource na última semana de 2024.
Embora os preços dos imóveis tenham se mantido estáveis em geral, Leite apontou que proprietários com dificuldades financeiras precisaram oferecer descontos nos ativos, criando oportunidades para investidores. “À medida que a curva de juros foi invertendo e as expectativas em relação à inflação e à macroeconomia mudaram ao longo do ano, a liquidez dos fundos imobiliários foi afetada, o que resultou em uma diminuição nas transações”, explica o executivo.
Paralelamente, Leite explicou que o segmento de data centers despontou como uma das áreas mais promissoras do mercado imobiliário comercial. Impulsionada pela crescente demanda por infraestrutura de inteligência artificial e armazenamento de dados, a capacidade global de data centers deve dobrar nos próximos quatro anos, tendência que também se reflete no Brasil.
Empresas como Meta, Google, Amazon e Oracle estão expandindo sua presença no país, atraídas pela disponibilidade de energia renovável, crucial para operações que demandam alto consumo energético. Regiões como Barueri e Campinas lideram essa expansão, mas outras localidades, como o Nordeste e Brasília, começam a ganhar destaque com novas infraestruturas, incluindo cabos submarinos.
“O Brasil é estratégico para negócios. Embora o cenário de juros ainda seja incerto, o mercado de galpões logísticos, escritórios e shoppings registrou grandes transações em 2024”, afirmou Leite. “Acredito que 2025 promete ser um ano criativo, com novas formas de transações e com um foco maior na adaptação às novas demandas tecnológicas. O investidor terá que saber inovar e não fazer mais do mesmo”, conclui.
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