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A fome do Patria por FIIs ainda não acabou, a empresa de Rodrigo Abbud está caminhando, a passos largos, de se consolidar como maior gestora de fundos de investimento imobiliário do Brasil. Recentemente, o Patria anunciou a conclusão da compra da RBR Gestão de Recursos.
A gestora tem avançado de forma consistente sobre FIIs e casas menores, absorvendo equipes, mandatos e portfólios que, isoladamente, já não conseguem competir por liquidez, captação e relevância no mercado secundário. O movimento não é pontual, tampouco defensivo.
Esse avanço, no entanto, ocorre enquanto aumentam os questionamentos de investidores e analistas sobre o próprio Pátria. No fim de janeiro, um relatório da casa britânica Snowcap Advisors lançou dúvidas sobre a liquidez e os critérios de avaliação de ativos da gestora, classificando sua estrutura como um “castelo de cartas”.
O documento aponta possíveis superavaliações bilionárias em fundos do grupo e levanta suspeitas sobre práticas como transações circulares entre veículos da própria casa, que poderiam gerar taxas de performance e uma espécie de “liquidez sintética” para sustentar captações.
O relatório também relembra episódios anteriores que abalaram a confiança de investidores. Em 2023, o Patria Special Opportunities II, fundo voltado para shopping centers no interior do país, teve suas cotas reavaliadas e passou a registrar valor negativo, transformando o investimento em uma dívida para os cotistas.
Antes disso, o Patria Special Opportunities I, também focado em shoppings, sofreu uma desvalorização de quase 100% após os impactos da pandemia. Procurado à época, o Patria minimizou os efeitos, classificando um dos episódios como um “erro pequeno” diante do volume total sob gestão. A gestora não comentou o relatório da Snowcap até a publicação do documento.
Embora esses casos não estejam diretamente ligados à operação de FIIs listados, eles ampliam a sensibilidade do mercado em um momento em que o Patria expande sua influência justamente sobre esse segmento. A combinação entre concentração crescente e questionamentos sobre governança, valuation e liquidez tende a manter o radar de investidores e analistas permanentemente ligado.
Para Danilo Barbosa, sócio e diretor do Clube FII, a consolidação, por si só, não representa um risco estrutural para o mercado. Na avaliação dele, trata-se de um processo natural de amadurecimento da indústria. “Vemos isso claramente no mercado internacional de REITs. Em alguns casos, um único REIT é maior do que toda a indústria imobiliária de alguns países. Um mercado excessivamente pulverizado não parece ser o modelo mais eficiente”, afirma.
Barbosa ressalta que a dificuldade de entrada de capital novo reforça esse movimento. “O crescimento das captações ainda não é significativo, o que torna a consolidação mais relevante, principalmente quando olhamos para o volume de emissões e incorporações. Enxergo esse processo como um sinal de amadurecimento, e não como um risco”, diz. Ele pondera, contudo, que o mercado seguirá atento à execução das estratégias, à qualidade dos ativos, às emissões e, sobretudo, à comunicação e à transparência das gestoras que lideram esse processo.
No caso do Patria, esse acompanhamento ocorre em paralelo a ajustes internos na própria estrutura de FIIs. Após a fusão com a VBI e o Credit Suisse, a gestora passou a discutir uma nova reestruturação na área de real estate. Em agosto de 2025, dois gestores de FIIs que foram herdados de gestoras compradas pelo Patria deixaram o time, movimento que pode resultar em mudanças de rota em algumas estratégias. Ainda não se sabe os caminhos que seguirão após a compra da RBR Gestão, mas a história tende a se repetir.











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