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Crise hídrica impacta a região norte do Brasil e coloca em risco setores estratégicos

  • A seca histórica no Amazonas ameaça condomínios logísticos e o comércio local, gerando preocupações com o abastecimento e logística em meio à estiagem recorde 
Fernando Pinho, gerente de operações do Grupo Mega, conta como está sendo a rotina diária na região
Fernando Pinho, gerente de operações do Grupo Mega, conta como está sendo a rotina diária na região
Por: SiiLA News
23/11/2023

Um dos principais polos econômicos do país, Manaus, está sendo vítima da maior estiagem de sua história. Desde que a medição dos níveis do Porto de Manaus começou a ser feita, há 121 anos, a seca fez os níveis do rio diminuírem até 12,70 metros. O impacto, além de ambiental, também é econômico, prejudicando empresas que utilizam os rios para transporte e pesca. 

Com comunidades ribeirinhas isoladas, morte da fauna, aulas canceladas e a inviabilidade de navegação, a região ribeirinha teve sua economia local ameaçada. A seca também afeta a economia dos estados nortenhos, segundo a Associação dos Terminais Portuários e Estações de Transbordo de Cargas da Bacia Amazônica (AMPORT), houve a redução em até 50% na capacidade de carga dos comboios de graneis nos rios da região. 

Para Flávio Acatauassú, diretor-presidente da AMPORT, esse fenômeno é consequência da diminuição das chuvas nos rios do baixo Amazonas, uma consequência do El Niño, fenômeno causado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico e Atlântico Tropical Norte. 

“Os rios do baixo Amazonas, como é o caso do Tapajós, dependem das águas das chuvas para aumentar a vazão e qualquer estiagem impacta severamente na diminuição do nível da água disponível. Diante disso, estamos adotando algumas medidas sérias para otimizar a navegação na localidade, procurando causar o menor impacto no transporte de cargas para o Brasil e para o exterior”, explica Acatauassú.  

O impacto da crise hídrica já está sendo sentida na região. A fabricante de produtos eletrônicos, TCL SEMP, afirmou que, para reduzir os efeitos negativos, suspenderam as operações temporariamente. 

“Devido à seca na região amazonense, as operações da TCL SEMP estão suspensas no momento. As atividades da empresa devem retornar em breve, a fim de gerar o menor impacto possível no recebimento e envio de produtos e o cenário atual não afeta o período da Black Friday – uma vez que a preparação para a data foi feita com antecedência”, conta por e-mail para a equipe do REsource. 

A varejista Magazine Luiza (MagaLu) informou que adiantou o abastecimento de eletrodomésticos na região, a fim de garantir que a seca não afete a logística de entrega, principalmente de itens como televisores e ar-condicionado.  

No mercado mapeado pela SiiLA, empresa de análise de dados do mercado imobiliário, a região possui três condomínios logísticos classe A+, o Distribution Park Manaus III III, no qual abriga empresas como Mercado Livre, Honda, Carrefour e outras.  

Além disso, segundo a plataforma GROCS da SiiLA, os shopping centers da região norte contam com um aumento das vendas. Hoje, os empreendimentos classe B, maioria na região, faturam em média R$ 1.630,75/m², valores que podem ser afetados por conta da estiagem na região. 

“O aumento de preços é bastante possível pelas questões de escassez dos produtos ao consumidor final, pelo encarecimento da logística e transporte dos materiais da Zona Franca até os centros de distribuição. Esse cenário se deve ao modal amplamente utilizado na região, que enfrenta os problemas decorrentes da estiagem. Podem, portanto, haver acréscimos nessa tratativa comercial B2B, que afetem o comércio B2C”, conta Rodrigo Bandeira, vice-presidente da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm)

Bandeira também alerta que os riscos da estiagem podem afetar não só a região amazonense, mas sim todo o território brasileiro, visto a importância que a área industrial possui no cenário econômico e industrial brasileiro.  

“A Zona Franca de Manaus produz muitos componentes eletrônicos e, consequentemente, interfere em muitos dos segmentos mais buscados pelos consumidores, sobretudo com a proximidade de datas importantes como Black Friday e Natal. Localmente, o que mais deve ser sentido é com relação ao desabastecimento, ou seja, falta de insumos, componentes e matéria-prima para a fabricação de novos produtos”, conta. 

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