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O Brasil se tornou uma potência no setor de data centers na América do Sul, detendo o equivalente a 75% dos novos investimentos do continente, de acordo com o levantamento Global Data Center Outlook 2026. A parte pouco explorada é a possibilidade adaptativa de condomínios logísticos para atender a essa demanda que, até 2030 tem uma perspectiva global de arrecadar até US$ 30 trilhões.
Os sistemas de data centers são infraestruturas responsáveis por armazenar e produzir um alto volume de dados simultaneamente para executar aplicativos e informações na nuvem. São diversos os benefícios corporativos de instalação, o avanço da inteligência artificial acelerou o processo de expansão de unidades por todo o globo.
A oportunidade no real estate é justamente hospedar a infraestrutura em condomínios logísticos adaptados, o que já foi feito no ativo Araco Castelo Branco 100, o primeiro a abrigar um data center no Brasil. A adequação amplia os investimentos e dinamiza o mercado, mas ainda não é amplamente vista como a primeira opção de desenvolvimento devido a pouca propriedade de investidores sobre informações dos modelos de negócio possíveis.
A operação mais recente envolvendo uma construção nesse modelo foi possível com uma quebra de contrato da Golgi com o Mercado Livre para ceder o projeto a plataforma 247, que utilizará o espaço em Perus, na Zona Norte de São Paulo para desenvolver a estrutura de data center.
Danilo Murja, engenheiro e empresário especialista em instalações prediais, industriais e infraestrutura crítica, explicou que as readequações de espaço para abrigar data centers dependem muito de disponibilidade de rede elétrica, uma vez que energia e refrigeração são os principais elementos para sustentar a execução. “A adaptação tende a ser mais viável para edge data centers, data centers menores, modulares ou operações específicas. Para hyperscale, a exigência de energia, área técnica, refrigeração, redundância e expansão costuma ser tão alta que o projeto sob medida geralmente faz mais sentido”, destacou.
Segundo o especialista, além da energia e resfriamento, é necessário que o investidor avalie aspectos relacionados a possibilidade de expansão, múltiplas rotas de fibra, capacidade atual de área para suportar a estrutura e qual o modelo de data center mais coerente.
O SiiLA Academy contará com uma aula específica sobre data centers para aproximar investidores do mercado as oportunidades do setor. Saiba mais em: https://www.sympla.com.br/evento-online/siila-academy-advanced/3379623?referrer=www.google.com&referrer=www.google.com
Franco da Rocha, interior de São Paulo, foi escolhido como sede do data center GRU10, da Ada Infrastruture, o primeiro da empresa no país. O modelo sob medida será desenvolvido em duas fazes, com três edifícios e uma subestação.
Marcelo Mendes Szwarcwing, Head da Ada Infrastructure na América Latina, reforçou que a escolha do projeto como pioneiro tem um objetivo a longo prazo de expansão no sul do continente “São Paulo é um dos mercados econômicos e de infraestrutura digital mais importantes da América Latina, impulsionado por fatores como adoção da nuvem, digitalização das empresas e crescimento das cargas de trabalho relacionadas à inteligência artificial. O campus GRU10, em Franco da Rocha, está estrategicamente localizado para suportar operações em larga escala, aproveitando também uma posição imobiliária estratégica já existente na plataforma da Ares no Brasil”, destacou.
A capacidade total será de 300 MW e a primeira fase tem a duração prevista de 18 a 24 meses.
Entre os incentivos em discussão está o PL 278/2026 (Projeto de Lei) que propõe a manutenção do Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center). A proposta é da adesão de benefícios fiscais focados em equipamentos para manutenção, implementação ou ampliação desses complexos, zerando todos os tributos relacionados (PIS/Pasep, Cofins, IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados).
O objetivo é substituir a MP (Medida Provisória) do Governo Federal, que criava pacote de benefícios para o ano de 2026, e era necessária para contrapor a reforma tributária, uma vez que era vedado por ela a criação de benefícios tributários neste ano.
A partir do programa, o governo renuncia a arrecadação de R$ 5,2 bilhões em 2026, valor que já estava previsto na Lei Orçamentária Anual. A MP venceu em fevereiro, mesma época em que foi aprovada na Câmara dos Deputados, e ainda aguarda ser votada no Senado Federal.
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