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Devoluções marcam o 3º trimestre no mercado de escritórios de São Paulo

  • Prolongamento da pandemia acelerou saídas de inquilinos de grandes áreas na cidade no 3º trimestre, revela a plataforma de inteligência imobiliária SiiLA
Uma parte do aumento da vacância tem a ver com os novos empreendimentos incorporados ao estoque de escritórios da cidade
Uma parte do aumento da vacância tem a ver com os novos empreendimentos incorporados ao estoque de escritórios da cidade
25/11/2021
O mercado de locação de imóveis corporativos de São Paulo vive um momento de alerta e que deve continuar no curto prazo. No entanto, há expectativas positivas em relação ao futuro, com a perspectiva de volta aos escritórios, mesmo que em regime híbrido. No terceiro trimestre de 2021, São Paulo registrou devoluções consideráveis de áreas de escritórios, revela o monitoramento da SiiLA, multinacional com atuação em dados e análises do mercado imobiliário da América Latina. O impacto desse cenário foi grande: o saldo entre as novas locações e devoluções (absorção líquida) fechou com 59.921 m² negativos, considerando os empreendimentos de Classes A+, A e B em todas as regiões comerciais mapeadas pela plataforma na cidade.

“Os escritórios estão sofrendo bastante, mas acreditamos que no longo prazo haverá uma acomodação. A tendência é que as pessoas voltem para os escritórios, ainda que no modelo híbrido. As empresas precisam das suas sedes”, avalia Giancarlo Nicastro, CEO da SiiLA.

Praticamente todas as saídas aconteceram nas chamadas zonas primárias (ou CBDs – Central Business Districts) que incluem as regiões: Berrini, Chácara Santo Antônio, Chucri Zaidan, Faria Lima, Itaim Bibi, JK, Marginal Pinheiros, Paulista, Pinheiros, Santo Amaro e Vila Olímpia. No total, estas 11 regiões registraram saldo negativo de 53.987 m² (absorção líquida) do período. O estudo da SiiLA ainda mostra que, na análise apenas dos imóveis de alto padrão, (Classes A+ e A), a taxa de vacância (área vaga) das regiões CBDs fechou o terceiro trimestre de 2021 em 25,65%, um aumento de 1,8 pontos percentuais na comparação com o 2º trimestre. Dentro das regiões CBDs, há algumas com taxa de vacância ainda abaixo dos 12%, como é o caso da Faria Lima, que apresenta 11,93% da sua área vaga, e da Vila Olímpia, 11,67% e JK, com 11,07%. 

Momento atípico

“A Covid-19, o desaparecimento de muitas empresas e a condição de trabalhar em casa mudaram o mercado. Em 2021, junto com o home office, a elevação do IGP-M, um dos índices mais usados nas cláusulas de reajustes de aluguéis, pressionou muito o setor”, comenta Nicastro. “Neste terceiro trimestre, nosso monitoramento indicou várias devoluções de grandes áreas, acima 2 mil m², e que aconteceram todas ao mesmo tempo, provocando esse recorde negativo. É uma movimentação bem atípica, fruto de um cenário desfavorável do mercado”, completa o executivo.

O São Paulo Corporate Towers, complexo composto por 2 torres de Classe A+ na região JK, foi um dos destaques negativos do período, onde mais de 23 mil m² ficaram vagos. A XP Investimentos deixou 5,5 mil m². O canal Fox também encerrou o contrato de outros mais 3.100 m² no mesmo empreendimento.

Sozinha, a saída da Uber representou quase 8.500 m² a menos de área locada no complexo. A empresa ainda devolveu mais 3.500 m² do Edifício Morumbi. A partir de 2022, a Uber planeja ocupar uma nova sede de 30 mil m² em Osasco, batizada de Uber Campus, que se encontra em obras.Outra saída expressiva no trimestre foi a da Novonor (ex-Odebrecht). A empreiteira devolveu sua sede antiga de mais de 18 mil m² do edifício Pinheiros One. A saída já era programada, pois a companhia já havia locado neste ano outro espaço, bem mais modesto, de 6 mil m².

A Enel, que no início do ano já havia locado área em uma torre no Parque da Cidade, devolveu alguns andares do empreendimento CBOP em Alphaville (6.887 m²), causando mais impacto. A ABB também encerrou o contrato de 6.800 m² em empreendimento na região da Marginal Tietê e locou quase 3 mil m² no Jardim das Perdizes, na Barra Funda. E a Netshoes saiu de um prédio inteiro do centro de São Paulo (4.884 m²) sem locar outro endereço.

Até o final de 2021, a SiiLA prevê a locação de no mínimo 14.195 m² nas áreas CBD de alto padrão em São Paulo. Este é o volume garantido por contratos no Faria Lima Plaza, dois deles com o escritório Cescon, Barrieu, Flesch & Barreto Advogados e a multinacional de e-commerce Shopee.

Estoque chega, preço sobe 

Uma parte do aumento da vacância tem a ver com os novos empreendimentos incorporados ao estoque de escritórios da cidade. Dentre os de alto padrão, o maior entregue, de 28.334 m², foi o Led Corporate, A+ que fica na Barra Funda (fora da zona nobre do setor). A cidade também ganhou o Dynamic Faria Lima, um classe A erguido em Pinheiros, com 5.071 m². 

A despeito disso, o preço médio pedido de locação sofreu impacto dos espaços que ficaram disponíveis em prédios relevantes existentes, cujos valores praticados são maiores, como o próprio São Paulo Corporate, que jogou a média de valores para cima. 

O valor médio pedido de aluguel em todas as regiões mapeadas pela SiiLA Brasil em São Paulo, considerando os empreendimentos de Classes A+, A e B, foi de em 81,21 R$/m² no terceiro trimestre de 2021, contra os 79,93 R$/m² pedidos no trimestre anterior.

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