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Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostram que, em agosto de 2024, aviões comerciais transportaram 118 mil toneladas de volume de carga. Toda essa operação depende de grandes equipes de profissionais, transporte e local de armazenagem, mesmo que por um curto período.
Os principais aeroportos de carga do país – Guarulhos, Viracopos, Galeão, Manaus e Afonso Pena – são abastecidos por um grande estoque de condomínios logísticos de classe A+, A e B ao seu redor. Em um raio de 5 km, esses empreendimentos possuem uma taxa de ocupação acima de 90%, exceto em Manaus, indicam os dados da plataforma Market Analytics.
De acordo com o Anuário do Transporte Aéreo, elaborado e divulgado pela Gerência de Acompanhamento de Mercado (GEAC) da Superintendência de Acompanhamento de Serviços Aéreos (SAS/ANAC), as principais companhias aéreas que operam no Brasil são LATAM, Gol e Azul, todas com divisões especializadas em transporte aéreo de carga.
Otávio Meneguette, diretor da LATAM Cargo Brasil, conta que, atualmente, a empresa transporta, por ano, 111 mil toneladas em voos domésticos. No cenário internacional, são 150 mil toneladas. Uma das razões para esse número elevado, que vem crescendo ano após ano, é o e-commerce.
“Observamos que o perfil de cargas e demandas tem mudado rapidamente no pós-pandemia. A digitalização e o consumo por meio do e-commerce têm valorizado uma boa experiência de compra, com a velocidade das entregas em volumes menores como uma variável importante. O crescimento do mercado que vemos atualmente resulta dessa mudança no perfil de consumo, que exige prazos cada vez menores e um bom nível de serviço”, acrescenta.
Dados do Market Analytics mostram que o setor de bens de consumo, do qual faz parte o e-commerce, representa o maior market share dos inquilinos de condomínios logísticos, correspondendo a 34,2% das ocupações nacionais. O maior inquilino do Brasil é uma empresa de e-commerce, o Mercado Livre, que ocupa mais de 1,4 milhão de m² nos imóveis monitorados pela plataforma SiiLA.
Por atender todo o Brasil, o Mercado Livre se beneficia de uma parceria com a Gollog, operadora logística da companhia aérea Gol. Em entrevista ao REsource, o diretor-executivo da Gollog, Rafael Martau, contou que a empresa realizou mais de 3.500 voos para o Mercado Livre apenas em 2023.
“A parceria segue em plena expansão, com expectativa de aumento da frota até 2025 e ampliação de rotas para alcançar mais capitais. Com a força operacional da GOL, o Mercado Livre reduz em até 80% o tempo de entrega para rotas mais longas, como as regiões Norte e Nordeste, e em até 50% em rotas médias, como o Centro-Oeste”, comenta Martau.
A parceria teve início em 2022 e, desde então, já foram transportadas mais de 81 toneladas de pacotes e encomendas em 8.300 voos. Martau explica que toda a operação da Gollog, não apenas a realizada em parceria com o Mercado Livre, envolve seis aeronaves cargueiras exclusivas e toda a frota do Grupo Gol para transporte de cargas no porão.
“O transporte aéreo oferece uma velocidade significativa na entrega de mercadorias, permitindo uma rápida reposição de estoque em um curto espaço de tempo, evitando interrupções nas operações das lojas. Estratégias como o uso de voos cargueiros foram consideradas para garantir uma entrega ágil e pontual dos produtos, especialmente considerando a velocidade do transporte aéreo e uma logística inteligente”, afirma.
A expectativa é de crescimento. Ambas as companhias aéreas enxergam um futuro promissor. O diretor-executivo da Gollog acredita que o transporte aéreo é fundamental, principalmente quando se trata de cargas de alto valor agregado, e que a demanda vem aumentando.
“Do ponto de vista da demanda, o setor segue em forte ritmo de crescimento, mesmo com condições adversas no ambiente externo que têm impactado diretamente o preço dos combustíveis. Diversos fatores impulsionam a expansão contínua desse setor, como o forte aumento do mercado de e-commerce e a necessidade de entregas ágeis em diferentes setores, conectando empresas e consumidores por meio de maior eficiência operacional nas cadeias de suprimentos”, destaca.
No segundo trimestre de 2024, a companhia faturou aproximadamente R$ 315 milhões.
Já o diretor da LATAM Cargo observa que esse movimento ocorre em todo o mundo, tornando o modal aéreo um dos preferidos pelos transportadores.
“O transporte aéreo global de cargas tem crescido, inclusive no Brasil, e tem sido peça-chave na relação de consumo, com entregas ágeis e eficientes, ganhando mais visibilidade no mercado logístico”, conclui.











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